Onde estarão as borboletas?


Um dia, não mais que de repente, descobri o amor. Nunca havia acreditado que ele pudesse existir para além das páginas românticas.Num breve, ou infinito, cruzar de olhares, descobri o amor. E o medo. Sentir em outros olhos o poder de fazer revelar seus segredos mais profundos,uma ponte magnética para à imensidão da sua própria alma. Saber que para sempre seria assim. Uma revelação aterradora.

Pela primeira vez, ruborizada, desviei o olhar. E me senti fraca e frágil por ter feito isso. Em meu estômago, um milhão de borboletas coloridas revoavam agitadas. E a cada novo olhar, elas lá estavam. E de tanto que se agitavam, o ar se tornava mais denso, a respiração difícil, a fala impossível.

Mas o amor não estava escrito para mim. Não da forma como querem os homens e mulheres. As feridas que trazia me tornaram silenciosa e distante. Amei intensamente, sem jamais pronunciar eu te amo. Mas nunca deixei de dizer em gestos e atitudes, que só eu podia entender. Não perguntei, nem me expliquei, somente amei.

Amar me fez uma pessoa melhor. Capaz de querer bem, de acreditar no outro, de dar sem cobrar, de dizer “seja feliz e até um dia”, com o mesmo olhar silencioso e sereno da breve entrega. Olhar silencioso e sereno que esconde angústias e vendavais, enquanto disfarça a lágrima magoada.

E então eu descobri a dor que pode causar o amor. Intensa, e quase física, rasgando cada canto de meu corpo e minha alma. Eram as borboletas que morriam. Tentei matar o amor antes que ele me matasse. Tudo em vão. Depois de afundar em águas turvas e profundas, consegui voltar a superfície. E descobri que amor não tem cura. Deixei meu coração amar com a serenidade do pensamento, mas as borboletas, estas, coitadas, partiram para talvez nunca mais voltar.

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