UPA, que sufoco


Nada como um imprevisto para nos dar um choque de realidade.  Precisar de atendimento médico na cidade do Rio de Janeiro é um problema gravíssimo. Meu marido machucou a mão e achou que não era nada demais. Típico dele. Achava que era só mal jeito e que logo a dor passaria. Quando eu vi que estava inchando muito fiquei preocupada. Não tinha como ele ir para o trabalho daquele jeito, nem como deixar para ir ao médico “se piorasse”. Já estava bem ruim. Mas ele é uma pessoa muito prática, gosta de respostas rápidas e objetivas. Em nosso bairro tem um hospital estadual e duas UPAs. Ele de imediato descartou o hospital, por motivos que merecem uma postagem a parte, e decidiu ir na UPA. Se ele estivesse certo poderia ir trabalhar, caso contrário ele receberia um atestado de atendimento público, melhor aceito em empresas que não oferecem planos de saúde.

O termo UPA é bem apropriado para manter o bom humor. UPA, vamos mudar de sala. UPA, mais uma chamada na triagem. UPA, a cada nova chamada começa uma nova contagem do tempo de espera. UPA, cadê os médicos? Depois de perder toda a manhã, a mão inchando cada vez mais, a fome começando a incomodar (na UPA depois que entra não pode ficar saindo e acompanhantes esperam do lado de fora, tentando se acomodar encostados em paredes ou sentados em calçadas), ele foi informado que não havia ortopedista. Qual a solução? Ir na outra unidade? Ir em outro bairro? Resposta em off: as UPAs não estão atendendo ortopedia, o senhor não tem como procurar uma clínica? UPA, por essa nós não esperávamos.

Nunca uma carteirinha de convênio saúde pareceu tão reconfortante. Um item essencial praticamente. Ele não teria o atestado que desejava mas conseguiria o atendimento que precisava. O hospital conveniado não é em nosso bairro, mas o deslocamento valia a pena. Ele foi atendido assim que chegou, fez os exames e teve o diagnóstico. Tudo em não mais que duas horas. Havia uma fratura, e o osso fraturado se distanciou. Seria necessário uma cirurgia. Enquanto o hospital providenciava os pedidos de autorização para internação ele finalmente conseguiu comer algo. Foi internado no fim da tarde e começaram os exames. A cirurgia seria realizada assim que o plano enviasse a autorização.

Cheguei em casa tarde, exausta. Estava bastante tensa. Afinal uma cirurgia sempre implica em algum risco. Comecei essa postagem na segunda mesmo, mas o cansaço e a preocupação tomaram conta. Peço desculpas a todos os amigos que me mandaram mails ou mensagens e eu não consegui responder. Farei isso em breve. Fiquei até de madrugada jogando nos aplicativos do Facebook, tentando relaxar um pouco.

Eu pensava nas pessoas, milhares, que precisam de atendimento médico e não conseguem. Quantas pessoas voltam para casa e na ansiedade de ajudar, tentam dar jeitinhos em situações que necessitam de atendimento especializado.  Assusta a fragilidade de um setor essencial como a saúde, para onde são encaminhadas todas as emergências e merecedor de uma fatia generosa de nossos impostos.  A Saúde está debilitada mas vamos sediar a Copa e as Olimpiadas. O valor econômico de um evento transitório não poderia ofuscar setores de  importância  vital e necessidade permanente. Mas parece que é a lógica do momento. Bem, está na hora de voltar ao hospital. Com certo alívio vou buscar meu marido que deve ter alta no fim da tarde. Quase um privilégio voltar para casa medicado e com tratamento definido. Mais tarde eu volto para falar mais sobre isso.

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