Hillary e Irã, a mídia e os fatos


Já pelas tantas de ouvir a reapresentação do alardeado discurso da Srª Clinton, não pude evitar uma comparação exagerada reconheço, mas coerente com o modo de agir dos norte-americanos. O menino rico descobre que o moleque pobre, que não é amigo dele, tem algumas peças para construir um brinquedo igual ao dele. Ele acredita que ser o único a ter esse brinquedinho lhe garante destaque sobre os outros meninos, amigos ou não. É preciso impedir o moleque pobre, castigá-lo por desafiar a ordem já estabelecida. Mas o mundo mudou, os outros meninos e meninas estão crescendo, pensando por si mesmo. Para evitar uma confusão danada no play, dois outros meninotes, que outro dia mesmo eram tratados como moleques, resolvem dar uma ajuda para acalmar os ânimos e todos poderem brincar em paz. O menino rico não aceita, esperneia, chama os serviçais da família, quer bater nos coleguinhas mas não pode. Já não é o mais forte, sem os outros não consegue nem lanchar direito. Manda os servos espalharem que o moleque é mau, pivete, vai destruir o pátio. Não duvido, nem acredito. Quem conhece esse moleque? Quem fala dele sem tomar partido? Não a nossa mídia servil.

Confesso que a repetição desse discurso me incomodou. Não que ele não tenha importância. Mas tantas outras coisas são ditas sobre nosso país e nosso governo, e só tem acesso quem procura outras fontes de notícias. Quem decide o que o povo brasileiro deve ou não saber? A quem interessa toda essa repercussão? Devemos começas a temer a retaliação norte-americana? A mídia brasileira parece se orgulhar de sua subserviência a interesses outros que não o compromisso com a informação. Eu não quero nem preciso que me digam o que pensar. Eu quero os fatos. Simples assim. Com eles posso decidir sozinha o que pensar. Dispenso as caretas e interpretações da Míriam Leitão, Renato Machado e Alexandre Garcia em descarada oposição ao governo federal. Notem bem, eu respeito o direito deles, como pessoas, de se oporem ao governo. Assim se constrói uma democracia,com diversidade e respeito. Por outro lado, acho um desrespeito eles usarem os recursos de uma mídia como a televisão para difundirem como verdadeira suas opiniões particulares. Para opinar façam como eu, escrevam um blog.

Sabe porque defendo a necessidade do diploma para a prática jornalística? Para evitar que práticas perniciosas possam ser  justificadas como desconhecimento de seus efeitos ou ingenuidade. Alguns segmentos da mídia já conseguiram manter esse discurso como notícia por mais de 12 horas. Ela discorda, direito dela. Não vamos agir como uma caricatura de parentes pobres em ascensão, que buscam aprovação a todo momento. Nesse ponto, vou ter que concordar com o Chávez e com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. O caso pode ser mesmo despeito. Até então quem decidia tudo no pátio eram os meninos grandes e ricos. Mas agora os outros agora estão crescendo, amadurecendo, tendo opiniões próprias, tentando construir seus próprios caminhos para a boa convivência e avançando onde eles emperraram. Isso parece despertar grande contrariedade. Afinal, o Grande Irmão nunca foi mesmo tão fraternal assim.

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