O discurso de Hillary Clinton e as perguntas que não calam…


Desde ontem estou assistindo na Tv aberta e por assinatura o entediante discurso “endurecido” da Hillary Clinton. Nas emissoras participantes do Sistema Globo a matéria é divulgada como um impasse nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Pode até ser que estejam certos, mas vamos parar para pensar sobre o que está sendo dito. A Srª Clinton fala da importância das relações com o Brasil, credita a nosso país os méritos de contribuir com situações internacionais, MAS , entre tantas outras situações, prefere destacar nosso papel no Haiti.

Depois de assoprar um pouquinho nosso ego, a imponente Secretaria de Estado dos EUA deu aquela mordida. Depois de ouvir várias vezes o discurso, alguns pontos ficam claros: primeiro é que os Estados Unidos possuem diretrizes “próprias” para definir sua política interna e externa, e não aceitará mudá-las. É a doutrina Obama. Tudo bem, concordo. A isso chamamos soberania, algo de direito de toda Nação. O problema é quando a manutenção da sua soberania pressupõe a intervenção na minha. Será que agora todos os países do mundo são submetidos aos propósitos soberanos norte-americanos? Seremos todos colônias? Devemos então temer o castigo dos insurgentes?

O segundo ponto  que incomoda, a mim pelo menos, é que apesar do acordo estabelecido entre três países soberanos,  a Srª Clinton sugere que os EUA ainda recorrerão à ONU para iniciar um embargo contra o Irã. São com esses estratagemas que se começa uma guerra, o povo Iraquiano que o diga. Um líder terrorista árabe ataca os EUA, não o povo árabe diga-se de passagem. Eis a desculpa ideal para se livrar do antigo aliado que se tornou um incômodo. Porque até agora ninguém viu provas, circunstanciais que fossem, que confirmassem a necessidade de atacar aquele país. Libertar o povo? Essa também é sempre uma excelente desculpa para começar uma guerra. Não vamos esquecer que financiar ditaduras militares nas Américas foi um dos métodos de “libertar” os povos da “ameaça comunista”. Não consigo ouvir esses discursos de “Defensores da Liberdade Mundial”  sem desconforto e desconfiança. Liberdade para que? Para as mulheres muçulmanas adotarem os esteriótipos “Barbie”? Para que culturas tradicionais sejam massacradas pela cultura de mercado? Essa panfletária defesa da liberdade suporta aceitar as opiniões diferentes, as adaptações e contrariedades da diversidade?

A Srª Clinton afirmou ainda com convicção que o programa nuclear iraniano torna o mundo mais perigoso. Lembrando o encadeamento: PERIGO suscita o MEDO, o MEDO acua, autoriza e legitima a VIOLÊNCIA para garantir a PAZ. Não sou a favor do armamento, nuclear ou não. Mas acho que quem aponta o perigo do outro supostamente poder desenvolver armas nucleares, não pode armazená-las nem continuar suas próprias pesquisas armamentistas. É imoral.

Quero retomar um ponto que destaquei no início, a ênfase ao nosso pale no Haiti. Todos sabemos, e temos até um certo orgulho,  do papel da missão brasileira no Haiti. O povo haitinano reconhece em nossos soldados a imagem do amigo. O companheiro  que deixou seu lar, sua família, para ajudar a reconstruir um outro país que teve que aprender a conhecer melhor. Quando aconteceu o terremoto, enviamos bombeiros, profissionais de saúde e todo o tipo de ajuda que estava dentro de nossas possibilidades. Uma ação coerente com tudo o que já vinha sendo feito nessa parceria Brasil-Haiti.

Acontece que naquele momento os estragos e as necessidades eram enormes. Toda ajuda era necessária e bem-vinda. Vários países se mobilizaram e se uniram para salvar pessoas. União em prol de pessoas. Mas nem tudo era tão solidário. As tropas americanas assim que chegaram já foram estabelecendo seu “território”. Busque em imagens de arquivo e compare quantas imagens conseguirá dos soldados norte-americanos em ações de resgate. Pergunte a soldados e pessoas de sua confiança aqui e no Haiti e saberá como os “estado-unidenses” tentaram assumir o “comando da missão”. As palavras união e cooperação parecem não fazer o menor sentido para eles. Para tentar assumir a posição que era nossa, até por antiguidade e conhecimento de causa, chegaram ao ponto de mostrar sua face mais arrogante.

Não chegou a acontecer nenhum incidente diplomático sério. Até porque o momento era de ajudar ao povo sacudido pela calamidade. Mas o estranho é que nossa mídia que adora um burburinho e horas e mais horas de comentaristas e especialistas especulando sobre todas as coisas, se calou. Nenhuma suposição? Nada? Não seria a hora de especular porque razões um país iria querer assumir o comando da devastação? Porque eles não assumiram a Missão de Paz e queriam já assumir a reconstrução do país? Eu tenho um palpite: paz dá trabalho, muito trabalho, já reconstrução dá lucro. Nosso papel então seria a problemática pacificação do território, criando condições favoráveis para os “grandes” e “competentes” lucrarem?

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