Meu querido Scooby


Eu apóio a adoção de animais. Participo de páginas de grupos que se organizam para buscar novos lares para nossos companheiros abandonados. Eu acredito nessa iniciativa, muito mesmo. Sou contra o aprisionamento de animais silvestres e o abandono dos animais domésticos. E tento colaborar como posso, conforme vão surgindo as oportunidades.

Adoro cumprimentos!

Aqui em casa a coisa aconteceu  de um jeito um pouco diferente, até inusitado. Nós é que fomos adotados pelo nosso querido, e já velhinho, Scooby. É uma história um tanto inusitada, mas se tiver a paciência de ler, garanto sua total veracidade.

Havíamos nos mudado de um apartamento para uma casa e ainda estávamos nos ambientando. Eu estava de férias e aproveitava os fins de tarde para cuidar das plantas e relaxar um pouco. Uma dessas tardes eu vi alguns cães soltos subindo a rua, mas não me preocupei. Alguns vizinhos às vezes deixavam os cães soltos enquanto estavam nas calçadas. O maior deles veio até meu portão e tentou insistentemente abrir. Pelo tamanho dele fiquei um pouco receosa de me aproximar já que nunca o tinha visto. Ele me viu no quintal e insistiu em raspar o portão. Depois desistiu e foi embora com o resto do grupo. Quando meu marido chegou comentei com ele a estranha insistência. Chegamos a conclusão de que ele talvez conhecesse a casa ou os antigos moradores. Naquela semana ele voltou a aparecer mais umas três vezes e eu comecei a ficar intrigada com aquilo.

Como ele sempre aparecia de tarde, meu marido ainda não o tinha visto. Mas estava ficando muito curioso a respeito. Começou a perguntar aos vizinhos que conhecia se eles sabiam de quem era o cão e se era possível que fosse dos antigos moradores. Ninguém sabia dizer. A curiosidade se espalhou e um vizinho foi perguntando ao outro, e repassando a história. Ninguém tinha um cachorro daquele porte. Quem morava ali há mais tempo nunca havia visto cães naquela casa.

Na tarde de sábado quem mexia em plantas era Vlad. Eu ia chamar os meninos para lanchar quando ele apareceu. Os meninos ficaram alvoroçados, suas constantes visitas já exerciam um grande fascínio. Yuri perguntava se não podíamos ficar com ele, já que ele queria tanto entrar. Eu não sabia o que dizer. Confesso que o tamanho me assustava, afinal era um cão adulto e grande. E se não gostasse de crianças? Ele parecia muito simpático, mas e se ficasse agressivo de repente? Ele começou a dar uns latidos para chamar nossa atenção, enquanto raspava o portão animado, e nós ali, sem saber o que fazer. Acho que ele achou que não ia dar em nada e foi para a outra calçada, fuçar o mato que crescia em frente a um terreno.

De repente, Vlad tomou uma decisão: pediu que eu levasse os meninos para dentro, trouxesse a chave do portão e fechasse a porta. Nos empoleiramos na janela enquanto ele abria o portão. Assim que ouviu o barulho da chave no trinco ele parou atento, e quando o portão abriu entrou correndo, cheirando cada canto do quintal. E urinando para marcar território. Vlad continuou o que estava fazendo para não deixar ele intimidado. Mas observava seus movimentos. Ele foi se chegando aos poucos, desconfiado também, até que se sentou, cheirou Vlad e se deixou acariciar. Da janela, não aguentávamos o suspense. O portão continuava aberto para que ele pudesse sair se desejasse e não se sentisse aprisionado. Ele nem chegava perto dele, parecia bem mais interessado em ganhar um carinho e fuçar as plantas.

Depois de um tempinho, Vlad encostou o portão e nos chamou. Ele veio até nós,como se nos conhecesse de longa data.Parecia entusiamado com as crianças. Elas logo lhe deram um nome: Scooby. Motivo: ele era grande mas parecia agitado e atrapalhado como um bebezão. Tentamos explicar que ele poderia ficar mas que iríamos procurar saber se ele tinha um dono, e que teríamos que entregar se o encontrássemos. Ele não agia como um cão de rua. Parecia gostar do conforto de se sentir em casa. Compramos vasilhas e ração, demos um banho e arrumamos um cantinho para ele.

Continuamos falando com as pessoas para tentar descobrir de onde vinha Scooby. Levamos ao veterinário, explicamos a situação, fizemos as vacinas. O médico constatou que o defeito que ele tem na pata traseira é de um acidente mal cicatrizado.Isso poderia indicar que ele já estava nas ruas por mais tempo do que pensamos de início. Aos poucos fomos descobrindo suas manias e ele as nossas. Quem o visse brincando de bola com os meninos no quintal pensaria que haviam sido criados juntos. Já são quase oito anos desde que ele nos escolheu como sua família. De onde veio permanece um mistério. Ele nos ofereceu seu amor incondicional e só nos pediu para ser amado também. Quem poderia resistir?

Eu virei um herói e encontrei minha Ohana, sozinho....

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