Benefício trabalhista é salário digno – II


Plano de saúde e assistência odontológica,quando existem são o que a empresa oferecer. Mesmo que seja limitado ou pouco acessível. E para mim faz sentido já que uma empresa não poderá se dar ao luxo de permitir que cada funcionário escolha o seu e envie dezenas de boletos de origens diferentes para serem pagos. Participação nos lucros e bolsa-formação são cada vez mais raros. Além de roubarem a privacidade e autonomia dos trabalhadores, todos esses benefícios geram mais descontos em seus salários. E algumas vezes acabam simbolicamente superando o salário. Acho que todos conhecemos pelo menos uma pessoa que somados os valores dos benefícios o resultado é maior do que a remuneração bruta. A ilusão é de que isso compensa um salário inferior e muitas das vezes inadequado para as qualificações exigidas.

E como isso se reflete na vida de um trabalhador? Enquanto ele tiver saúde e nenhum problema acaba proporcionando uma pequena melhoria de vida. Eles começam a mostrar seus malefícios nos momentos em que o trabalhador se encontra mais fragilizado, precisando de fazer uso de todos os recursos que tiver a seu dispor. É nessa hora que eles somem. Não contam para aponsentadoria, seguro-desemprego, auxílio-doença. Só então o trabalhador percebe como o salário é mais importante que os benefícios.

Eu já contei aqui que meu marido teve que fazer uma cirurgia na mão para fixar um osso quebrado. Se eu já tinha problemas com o assunto a coisa ficou ainda pior. Além de todos os benefícios suspensos, a empresa mandou que ele fosse sozinho procurar o INSS em busca do auxílio-doença. Motivo: o dissídio da categoria prevê que a empresa cubra a diferença entre o valor do auxílio e o valor normalmente recebido por ele. Mandando ele sozinho, eles tentavam se desvencilhar desse compromisso e, quem sabe, evitar cobranças futuras. Nesses dois meses de tratamento ele recebeu pouco mais da metade do salário e nenhum benefício. Sugeri que ele procurasse seu sindicato. Lá, ele recebeu as orientações necessárias para garantir seus direitos, mas foi alertado que em situações semelhantes,quando trabalhadores tem que buscar em juízo seus direitos,as empresas demitem assim que passa o período estável garantido por lei. E vale a pena ficar em uma empresa que faz isso? Que tentará se descartar do funcionário sempre que ele tiver um problema?

Eu costumo trabalhar como freelancer, escolha minha. É claro que enfrento as críticas, suaves ou apaixonadas, dos que me são próximos e apegados ao formato tradicional das relações de trabalho. Não os critico, nem tento mais explicar minha visão. Somos educados para buscar garantias e estabilidades. Empreendedorismo ainda é um conceito muito novo e pouco absorvido. Falar em risco calculado então é abrir a porta para alguém sugerir que você precisa fazer um exame da cabeça. Não quero dizer com isso que sou contra o emprego formal, nessa condição tenho a mesma atitude de quando aceito uma contratação temporária: faço o meu melhor. E quando percebo que os interesses de meu contratante e os meus começam a entrar em conflito, me desligo com franqueza e maturidade, buscando deixar boas relações por onde passo. Não me atraem os benefícios. Prefiro tratar de valores absolutos que traduzam a justa e adequada remuneração pela minha força de trabalho.

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