Ontem estava tão triste…


Nem vim aqui postar nada, porque estava entristecida e não sabia se tinha algo de bom a dizer. Depois da minha postagem sobre a morte do menino Wesley recebi vários mails. Alguns de solidariedade, alguns de pessoas querendo debater e dar idéias, alguns amigos pedindo autorização para divulgar em outros lugares. Recebi críticas negativas também, pessoas que entenderam que eu buscava culpados, outras culpando os moradores acreditando numa conivência coletiva. Até então tudo bem, quando expomos nossos pensamentos devemos estar preparados para as críticas de todo tipo. E eu respeito o direito do outro de ter seu próprio pensamento diferente do meu. Mas um desses mails me abalou.

Nele a remetente contava que conhecia a família do menino, que foram vizinhos por um tempo antes da mãe se mudar para Costa Barros, e que lamentava muito a sua morte. Só que ela parecia se consolar com o fato de que “foi preciso morrer um inocente para que cinco bandidos tivessem o que mereciam, para que fossem “abatidos”, antes que fizessem novas vítimas.” A pessoa que me enviou isso é a favor da paz, de exigir ações em prol da justiça. É uma pessoa boa. Mas, como muitos, deve estar se sentindo tão acuada pela insegurança e pelo medo que se sente reconfortada com a morte de bandidos. Um sentimento que talvez só quem viva em regiões de guerra possa compreender. Qualquer baixa entre os “inimigos” inspira uma sensação de alívio e vitória. Essa constatação me entristeceu demais.

Nossas diferenças culturais e ideológicas podem ser superadas com diálogo, podem encontrar um ponto comum que inclua todos cidadãos. Basta esforço de tolerância e respeito. Mas quando o medo transforma o outro em inimigo, as coisas ficam bem mais complicadas. Entre inimigos, a desconfiança, o desrespeito, o confronto e a exclusão encontram espaço para proliferar e se justificar. Enquanto olharmos o outro como inimigo, nos distanciaremos mais e mais da paz. As guerras nunca trouxeram paz. Eu também vivo os mesmos temores das outras pessoas. Meus filhos trabalham e estudam, andam de transporte público, e quando podem querem passear com os amigos. Estamos expostos aos riscos de circular em uma cidade perigosa como todos os demais. Mas não posso aceitar que a morte de um inocente seja contabilizada, formatada em um saldo de mortes justificáveis. Como pessoa, como cidadã e acima de tudo como mãe, perceber a disseminação desse tipo de sentimento me fez mal. Mas me deixar abater não ia ajudar em nada. Então voltei para minha Nau e para minhas palavras.

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