Já pensou em ser jornalista?


Acha uma profissão interessante? Fácil talvez? Esse é um bom livro para quem quer entender mais sobre a atividade jornalística. Uma dica para estudantes: se tem que fazer uma resenha e não quer ler o livro, chegou até aqui e pensou em usar o CTRL+C e CTRL+V, esqueça. Qualquer professor sabe que colocando um trecho do texto no Google pode encontrar o original.

A Reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística
Nilson Lage

Resenha do livro

O que caracteriza a atividade jornalística na contemporaneidade? O que necessita o jornalista para atender as demandas de seu tempo, com profissionalismo e objetividade? Em “A Reportagem. Teoria e técnica de entrevistas e pesquisa jornalística”, publicado pela Editora Record em 2005, Nilson Lage não pretende apresentar respostas definitivas a essas questões, até porque, segundo palavras do próprio autor, “os fatos tecnológicos avançam depressa demais para o tempo de produção e a durabilidade previsível de um livro”. O que se pretende é disponibilizar elementos que possam contribuir para uma reflexão acerca da atividade jornalística em um tempo marcado pela urgência e fluidez das informações.

O livro, pensado para orientar cursos de graduação em jornalismo, é escrito com linguagem clara, simples e objetiva, tornando-se um referencial para estudantes e profissionais da área, sendo acessível também a qualquer leitor que se interesse por entender os mecanismos da profissão. Nele são apresentados dicas e teorias, acompanhadas de exemplos colhidos na prática, que podem servir de orientação àqueles que desejam se aprofundar ou aperfeiçoar nas técnicas das atividades jornalísticas. O autor mostra, numa progressão didática, as técnicas básicas da reportagem, comentando-as e revelando recursos que considera eficientes na busca da verdade. Apresenta também as possibilidades que as técnicas instrumentais recentes, provenientes dos avanços na área de tecnologia da informação e informática, inclusive a Internet, oferecem para a modernização da prática jornalística, em especial no que tange a pesquisa necessária para a realização das matérias.

Nesta obra encontramos um espaço dedicado a apresentação e ao questionamento da ética jornalística e dos métodos investigativos. Fala sobre técnicas usadas no jornalismo investigativo, como a utilização do grampo e de câmeras escondidas, responsáveis por grandes furos, porém passíveis de serem discutidas quanto a seus limites. A prerrogativa de que o jornalista deve ser um profissional atento sempre ao seu tempo, e as demandas que emanam de seu público, é a todo momento destacada como necessária para a construção de um jornalismo moderno e ágil, capaz de atender aos anseios da sociedade e de evoluir com ela. Para o autor, o futuro da profissão seria “ trafegar informação, levar a grandes públicos soluções e questões suscitadas pelo avanço tecnológico; revelar factualmente a contradição crescente entre as formas jurídicas e a realidade da sociedade de informação”.

Nada é deixado de lado. Lage apresenta com precisão as peculiaridades da carreira de repórter, o conceito de elaboração de pautas para a realização de matérias, a definição e o tratamento das fontes, os cuidados necessários para a realização de uma boa entrevista, a explicação sobre o que vem a ser reportagem especializada, a importância e os métodos possíveis para a pesquisa jornalística, uma breve cronologia das práticas jornalísticas, a visão de teóricos sobre questões da comunicação e, mais especificamente do jornalismo, finalizando com a proposição de uma reestruturação dos cursos de jornalismo, onde pelo menos metade da carga horária prevista seja destinada a disciplinas técnicas, e a coordenação ficaria a cargo de profissionais do ramo, competentes, atualizados e atentos a realidade da profissão.

Nilson Lage é jornalista, doutor em Lingüística, Mestre em Comunicação e Bacharel em Letras. Esse carioca nascido em 1936, trabalhou no Diário Carioca, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Última Hora, O Globo, Bloch Editores e na Televisão Educativa do Rio de Janeiro, entre outros. Também trabalhou nas assessorias de comunicação da Estrada de Ferro Central do Brasil, Caixa Econômica Federal e Eletrobrás. Foi professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina, professor da Universidade Federal do Rio de janeiro, Universidade Federal Fluminense e de instituições particulares. É autor dos livros técnicos Ideologia e Técnica da Notícia (3ª edição, 2001), Estrutura da Notícia (7ª edição, 2000), Estructura de la noticia (Havana, 1987), Linguagem jornalística (8ª edição, 1999), Controle de Opinião Pública (1ª edição, 1988) e A reportagem:teoria e técnica de pesquisa (1ª edição, 2001). Escreveu artigos sobre a globalização, o ensino do jornalismo, o texto jornalístico, telejornalismo e outros temas.

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