A difícil vida fácil


Acompanhando um Fórum de Discussão online sobre assessoria de imprensa, do qual eu participo, deparei-me com um tópico postado por uma pessoa interessada em construir carreira em assessoria de imprensa para músicos e artistas. Ela pedia a ajuda dos demais membros do grupo, para que lhe enviássemos dicas e orientações para que pudesse atingir seu objetivo. Até ai, nada demais. Em minha opinião pessoal, ajudar um colega de profissão não vai, de forma alguma, ofuscar meu próprio desenvolvimento profissional. Na verdade, acho muito divertido e estimulante e participo destes espaços justamente para trocar idéias. A partir de uma idéia, de uma sugestão, ou mesmo de uma ferramenta técnica, cada um irá enxergar uma oportunidade diferente e desenvolver seu trabalho, seguindo suas próprias referências e seu próprio estilo.

O grande problema, na realidade, é que esta mesma pessoa informava que não possui qualquer conhecimento na área, não tem graduação, e não terá, pois “não tem condições de fazer faculdade de jornalismo”, somente tem interesse pelos artistas e (ela acredita) conhecimento do meio artístico, em especial o da música. Seu interesse pela carreira baseia-se em seu interesse pelos artistas, quem sabe mesmo, seu desejo de proximidade com estes.

Bem, o que dizer de algo assim… Acredito que assistir seriados como Plantão Médico, tenha despertado o interesse de muitas pessoas pelo lado romanceado do heróico médico das emergências, mas será que alguém montou um consultório médico baseado nas informações do seriado e no fato de ter cuidado de alguns parentes doentes? Muitas das vezes pode parecer que o trabalho do advogado baseia-se no terno que veste e no uso das palavras mais difíceis do dicionário, mas será que alguém tentaria só com um terno e um dicionário advogar, mesmo que fosse só para si mesmo e a família? Nerds são em geral retratados como jovens que passam o dia inteiro na frente do computador e um dia invadem o site da NASA. Alguém já experimentou ficar o dia inteiro na frente do computador, batendo papo, jogando, fazendo qualquer coisa? No final deste dia havia aprendido algo mais sobre informática, computadores e programas? Por que será então que as pessoas acreditam que basta saber ler e escrever para ser profissional de comunicação, seja jornalista, publicitário, relações públicas, ou assessor de  imprensa ou comunicação?
De um lado, parece que ainda há idéias muito fantasiosas a respeito das profissões de comunicação povoando o imaginário das pessoas: aquela imagem meio desleixada, descompromissada, sempre em festas e tomando drinks a qualquer hora do dia, que no último minuto escreve qualquer coisa correndo e entrega para seu chefe, geralmente um sujeito muito estressado, mas aparentemente sem motivo algum. De outro, o pouco valor que alguns atribuem a nossas graduações. Talvez acreditem que para escrever não seja mesmo necessário ir à faculdade, afinal a maioria faz isso desde o primário. Qual seria o mistério de escrever um release (como os que a gente vive recebendo pela internet), e depois ficar enviando o mesmo por mail incansavelmente? Mas será que é só isso? Fazemos só isso? E a construção da imagem? Como identificar oportunidades de comunicação e preencher esses espaços? Como fidelizar seu cliente ou seu público? O que fazer nos momentos de crise? Sem a graduação, não me passa pela mente nada muito melhor do que o sujeito que protege o cliente com o corpo e grita furioso: “NADA A DECLARAR!!!”
A graduação não é tudo, com certeza. Em geral não nos proporciona a experiência prática, mas certamente nos oferece uma bagagem que será de extrema utilidade no enfrentamento das dificuldades cotidianos, onde não há espaço para esteriótipos romanceados, onde precisamos estar sempre atentos e domar um leão a cada dia. Quanto a não poder fazer uma graduação, isso me parece uma afirmativa comovente, porém uma desculpa tola. Os cursos de comunicação não são integrais, muitos alunos estudam e trabalham. Se não puder pagar, existem bolsas como o PROUNI. É muito esforço? É sim! Mas a pergunta é: quanto estamos dispostos a nos esforçar pelo que queremos, pelos nossos sonhos, por nossas carreiras? Mas, volto a perguntar, o que dizer para quem está tão determinado a construir uma carreira desta maneira? Tente. Pode até dar certo por um tempo, até que tenha que enfrentar a primeira crise… a partir daí, “NADA A DECLARAR!”

Share

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s