Qual a vantagem afinal?


Estava assistindo ao Record Notícias e uma nota me chamou a atenção. Não vou nem destacar que era um absurdo, porque a maioria das notícias que li e assisti nos últimos dias se encaixam perfeitamente nessa categoria. Mas essa notícia mostra bem como nossa sociedade está doente. As imagens são do circuito interno de um prédio no Rio Grande do Sul e são de tão boa qualidade que quase dispensam a narração da âncora. Uma mulher passando mal, desmaia na portaria do prédio em que mora. Os presentes no momento largam o que fazem e vão prestar socorro. Um rapaz retira o óculos que ela estava usando e coloca na bancada da recepção. Uma correta medida de segurança, já que é um objeto frágil que poderia quebrar, e além do prejuízo ainda poderia ferir sua dona. Enquanto aguardam o socorro um outro morador surge, se aproxima do grupo, observa, vai até a bancada, pega o óculos, disfarça um pouco e guarda no bolso.

Ele também é morador do prédio, e enquanto todos solidariamente socorrem a vizinha, ele aproveita para furtar um óculos de grau! Para que? O que ele pretendia com isso? Lucrar? Bem, um bom óculos corretivo, além das especificações médicas do grau, é adaptado as medidas do rosto de quem usa. Qual a chance dele encontrar alguém com as exatas características para usufruir do prejuízo que estava causando a sua vizinha? Provavelmente ele nem pensou nessas coisas, nem lembrou que na portaria havia um sistema de monitoramento de boa definição, que ele ajudava a pagar mensalmente. É a tal “Lei de Gérson”, querer se dar bem em todas as situações, de qualquer maneira e a custa de qualquer um.  Ele aproveitou a “vantagem” do momento. Mas qual o sentido disso: prevalecer sobro o outro ou prejudicar o outro? Não importa qual seja! Está errado! Se não pudermos perceber isso coletivamente, que sociedade estaremos construindo?

O fato se tonou notícia porque a moradora, aflita com a perda do item caro e essencial para seu cotidiano, solicitou ao síndico as imagens do circuito interno da portaria e deu queixa na polícia. O próprio síndico procurou o morador flagrado no furto e pediu que ele devolvesse o objeto. As conseqüências podem ser bem mais pesadas do que se tornar um vizinho mal quisto. E agora? Qual a vantagem afinal? Terá valido a pena?

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