No dos outros …


Eu estava assistindo vídeos no You Tube e encontrei esse. Confesso que a música escolhida e algumas imagens me trouxeram lágrimas aos olhos. Quem quiser defender que acreditava naquelas idéias, tudo bem, eu respeito. Afinal, democracia é o respeito a diversidade de opiniões e aceitação do desejo manifesto da maioria (mesmo quando contrario aos nossos). Mas defender que o que vivemos foi uma “ditabranda”, como fez a Folha é ofender nossa própria história.

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Dois pesos, duas medidas, sempre!


Voltei a receber mails convocando protestos contra a condenação de Sakineh. Não sou a favor da pena de morte, mas também não me considero devidamente a par dos fatos, jurídicos ou culturais, para opinar. Admirei o Plínio no debate da Record, quando rebateu a armadilha do Serra afirmando que quem se o Brasil tem relações com os EUA, porque não com o Irã? Compartilho abaixo o texto de Douglas da Mata do Planície Lamacenta que com muita sobriedade fala sobre o assunto.

Dois pesos, duas medidas, sempre!

Douglas da Mata

Em primeiro lugar, deixemos as coisas claras:
Esse blog é contra a pena de morte.
Esse blog é pelo direito internacional da soberania e autonomia dos povos para decidirem com irão aplicar suas leis penais.

Por isso, não nos assusta que no último dia 23 de setembro, Teresa Lewis, condenada à morte pela Corte do Estado da Virgínia, EEUU, tenha sido executada por injeção letal.

O que nos assusta é o silêncio do PIG e de vários blogs, que, com silêncio e indiferença não gritaram pelos direitos humanos daquela mulher, nem acusaram os EEUU, muito menos o estado da Virgínia de atentar contra o gênero feminino.

Ninguém pediu o rompimento diplomático com os EEUU.

Detalhe: Virgínia foi submetida a um teste de QI, pois desconfiava-se de que não era capaz de entender a totalidade de seus atos, e o resultado deu 72, apenas dois míseros pontos acima do mínimo exigido para definir seu estágio cognitivo como “normal”.

Outro detalhe: Seus dois cúmplices, que a manipularam(conforme consta do processo), sendo que um deles apertou o gatilho, para receberem o seguro da vítima, foram condenados a prisão perpétua, ao contrário de Virgínia.

Repetimos a pergunta da coluna A Semana, de Carta Capital: Será que toda essa indiferença se deu pelo fato de que ela não morava no Irã?

Quem sabe?

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Seleção por eliminação – Religião


Já mencionei que não voto em candidato que panfleta religião. Nem mesmo a minha. Acredito que algumas coisas não devem se misturar. Reconheço que existe uma certa lógica perversa nessas candidaturas: alguns políticos evangélicos, em várias regiões do país, depois de eleitos começaram a usar a máquina pública para discriminar e perseguir outras religiões e visões de vida. O que poderia ser visto como desvio particular de um indivíduo passou a representar uma ameaça imaginária que sustenta o discurso do “Temos que eleger nosso representante também, para defender nossos direitos!”. O direito a liberdade de crença é garantido pela Constituição, e sua violação já é criminalizada. Se a proposta fosse lutar pela defesa e garantia de liberdades, seria até aceitável. É uma plataforma justa e sempre necessária. Na defesa dos direitos do outro, estamos garantindo nossos próprios direitos. Mas utilizar a máquina pública para sustentar embates teológicos não é nem um pouco aceitável. Pior ainda, são os que intimamente sonham com a possibilidade de disseminação estatutária de sua fé. Se compactuarmos com isso, em pouco tempo legislativo e executivo não serão mais do que tribunas de uma Guerra Nem Tão Santa Assim.

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Vida virtual versus vida real: Um falso dilema!


Texto de Douglas da Mata, do Planície Lamacenta,  mostrando a esfera virtual como extensão de nossas existências reais. Ajuda a pensar o que seriam os “blogs sujos”.  Este texto foi publicado originalmente no blog do autor e também está reproduzido no blog do movimento #RioBlogProg.

Motivado por um post do blog do Roberto Moraes, onde o antroopólogo Hermano Vianna trata da “ciberbalcanização” blogosfera, como um fenômeno que se expressa pela formação de guetos ultraradicais dispostos a encerrar em si mesmos uma visão de mundo intolerante e beligerante, que pode se tornar uma ameaça real a sociedade, resolvi tratar desse assunto.

Para começar, é preciso o aviso de sempre: Não se trata de um postulado acadêmico, visto que faltam as ferramentas teóricas para tanto, e assim temos aqui uma compilação de intuições. Uma análise empírica, desprovida de compromisso de comprovar a si mesma, ou de ser legitimizada como uma posição uniforme.

Optamos pelo título para resumir a idéia: A premissa de que há uma vida “virtual” oposta ou concorrente a vida “real” é falsa, em nosso entender! Afinal, por trás de laptops e personal computers(PC) existem pessoas que pensam, agem e interagem em seu ambiente, ainda que o filtro pelo qual possam falar e ouvir boa parte da informação que produzem e recebem seja a internet, através de suas máquinas. Para combater essa suposta “radicalização” e estreitamento de grupos em guetos “virtuais” há a necessidade de abolir esse conceito que dicotomiza a vida em ambientes estanques. Não é possível vida “virtual” sem vida, portanto, repetimos: essa premissa é falsa!

Logo, a internet é um meio de comunicação, que guarda distinções em relação a outros meios, e inúmeras possibilidades, mas que, no fim das contas, está sujeita as mesmas condições de temperatura e pressão que qualquer outro, como submissão a interesses, disputas por controle, enfim, todos os elementos que integram o processo de hegemonização descrito por Gramsci. Continue lendo

Quem persegue a imprensa?


Eu tenho ouvido sem parar as acusações de que o atual governo “persegue” a imprensa.  E pior,  tramaria secretamente contra a liberdade de imprensa, aliado aos seus “blogueiros sujos”.  Chegando na reta final da campanha eleitoral, essa tem sido uma das cantilenas prediletas da errática campanha de Serra. Um disparate total e descabido! O presidente criticou a maneira como certas empresas de jornalísticas estão se comportando, promovendo denuncismos e defendendo posições sob o disfarce de informações.

Ora, ele disse a verdade, nada mais do que isso. Qualquer profissional de comunicação sabe disso.  Isso é perseguir a imprensa? Ora vamos, todos nós sabemos que onde a imprensa não é livre algumas dessas publicações teriam sido censuradas e talvez até perdessem suas concessões.  Então os veículos de massa tradicionais podem apontar, julgar, condenar e criticar, mas não estão preparados para receber críticas? E digo mais, críticas brandas. O empresário Fábio Baracat tem sistematicamente desmentido as denúncias que a Veja alega ter recebido dele. Não seria possível o veículo ser investigado por calúnia e até falsidade ideológica? Eu, humilde blogueira, se cometo um ato desses estaria a esta hora prestando contas à Justiça.

O que é a liberdade de imprensa? É a toda-poderosa mídia tradicional dizer o que quiser para muitos sem contestação? Sinto muito, os tempos mudaram.  E se eu, blogueira e jornalista, tiver uma visão diferente e apresentar, não terei direito a mesma liberdade? Ou serei taxada de “blogueira suja”? Creio então que acabo de me tornar uma. Mas não me importo.  Defender a liberdade inclui saber receber críticas e até ataques.

Uma última reflexão, mesmo sob constante ataque da mídia, tanto o presidente Lula quanto a candidata Dilma continuam aceitando falar com a mídia, sem cercear ninguém, respondendo a todos os assuntos que são apresentados. Nenhum dos blogs que difamam Dilma foi apontado ou perseguido, e eles existem.  Já Serra chama de” Sujos” os blogs que não lhe são favoráveis, é grosseiro e ameaça sair de uma entrevista quando contrariado com assuntos não ensaiados. Quem tem medo de liberdade de expressão e imprensa afinal?

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Seleção por eliminação – Royalties


Antigamente, se eu não decidisse por um candidato, votava na legenda. Não em qualquer uma e nem sempre na mesma. Escolhia a que apresentava um conjunto de propostas mais coerente com meus pensamentos. Hoje, não faço mais isso. O motivo é óbvio, quase todos os partidos tem um candidato que se perdeu por ali. O alinhamento ideológico parece ter sido substituído pela mera contagem de votos. Quantos votos são necessários para se eleger em um partido? E no outro?  Quem precisa de identidade política? “O povo tem memória curta” é o que pensam, e alguns até tem coragem de dizer isso em voz alta, pois eu mesma já ouvi.

Já que não voto nulo, o que fazer? Decidi tentar diminuir a lista de possibilidades com uma pequena seleção por eliminação. Comecei com o assunto mais badalado do momento: os royaltes. Qual o valor real e onde é aplicado? Não voto em quem anuncia que vai “lutar” contra outros brasileiros para manter royaltes e não sabe nem dizer onde ele é utilizado. Conheço uma pessoa, natural de Macaé,  que sempre me recomenda não visitar a cidade. Estranho? Eu também acho. Toda vez que vai visitar os parentes, ela leva a própria água mineral, inclusive para a higiene pessoal. A carestia e a insegurança são outra reclamação constante. Qual o benefício da extração do petróleo na região? O que é feito afinal com os royaltes? Enquanto a defesa de royaltes me parecer somente uma gula compulsiva, um desejo desarvorado por uma receita cujo destino não é claro e transparente, coloco essa propaganda na minha lista de descarte.

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Como escolher um candidato?


Confesso, eu assisto horário eleitoral gratuito. Todos os dias. Ainda não sei em quem votar para deputado estadual, senador e governador. Se é possível escolher um candidato só com isso? Duvido, mas é possível despertar o interesse para se descobrir mais sobre alguma proposta apresentada. Reconheço que é bem chatinho e cansativo. Fazer o que? Eu não escolho por pesquisas, afinal não é um jogo de apostas em favoritos e vamos ter que conviver com essas escolhas por pelo menos quatro anos.  O que mais me incomoda é a quantidade enorme de partidos e suas alianças descabidas. Em alguns momentos chego a me perguntar se o candidato faz idéia de quais são as propostas gerais de seu partido. E essa enormidade de partidos menores, uma insana sopa de letrinhas, na hora de disputar uma eleição acaba articulando alianças que em minha opinião só justificam o clamor de reforma política urgente. Menos partidos, mais propostas e regras práticas e rápidas para campanhas limpas, justas e igualitárias.

Eu tenho até algumas sugestões. Para começo de conversa as campanhas deveriam ter um limite máximo nos gastos. E não poderia ser milionário para que todos tivessem oportunidade semelhante de apresentar suas propostas. Um partido sem recursos e financiadores pode ter excelentes idéias, ou ter mais a ver com o que eu desejo, e eu não saberei se não pesquisar. Com um número menor de partidos, a divisão do tempo do horário gratuito poderia ser em partes iguais. Fica mais fácil para avaliarmos o político e não o publicitário, que no fundo tem sido parte fundamental do processo atual. Na hora de eliminar o excedente de partidos comecemos pelos partidos religiosos. Nada contra qualquer religião, mas não dá para misturar com política sem correr o risco de alimentarmos os conflitos que tanto criticamos no país dos outros. Um político que afirma ser uma pessoa de fé não é problema. O problema é uma proposta política de legislar ou governar em nome de uma religião ou seita, e de seus dogmas. Nada de apelidos chamativos, pode não parecer mas eleição é coisa séria. E tem conseqüências. O TSE poderia criar uma sabatina para os pré-candidatos, para verificar se eles tem a mínima noção do que estão fazendo ali. Isso nos pouparia muito tempo. Não teríamos que ficar ouvindo tanta bobagem improvável e até impossível. Principalmente dos candidatos a cargos legislativos, que adoram prometer coisas que não podem fazer e garimpar votos com a panfletagem de ações de assistencialismo social. O slogan do Tiririca, “pior que tá não fica”, que causou tanta polêmica e mal-estar entre alianças, serve ao menos como alerta do quanto precisamos evoluir!

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