Seleção por eliminação – Religião


Já mencionei que não voto em candidato que panfleta religião. Nem mesmo a minha. Acredito que algumas coisas não devem se misturar. Reconheço que existe uma certa lógica perversa nessas candidaturas: alguns políticos evangélicos, em várias regiões do país, depois de eleitos começaram a usar a máquina pública para discriminar e perseguir outras religiões e visões de vida. O que poderia ser visto como desvio particular de um indivíduo passou a representar uma ameaça imaginária que sustenta o discurso do “Temos que eleger nosso representante também, para defender nossos direitos!”. O direito a liberdade de crença é garantido pela Constituição, e sua violação já é criminalizada. Se a proposta fosse lutar pela defesa e garantia de liberdades, seria até aceitável. É uma plataforma justa e sempre necessária. Na defesa dos direitos do outro, estamos garantindo nossos próprios direitos. Mas utilizar a máquina pública para sustentar embates teológicos não é nem um pouco aceitável. Pior ainda, são os que intimamente sonham com a possibilidade de disseminação estatutária de sua fé. Se compactuarmos com isso, em pouco tempo legislativo e executivo não serão mais do que tribunas de uma Guerra Nem Tão Santa Assim.

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