Caminhos da rejeição


Chegando na reta final da campanha as ações e informações veiculadas pela assessoria tucana beiram a esquizofrenia. Inverdades de toda natureza brotam nas redes sociais, incluindo apoio de pessoas que rapidamente desmentem a boataria. Ontem no Facebook vários dos meus amigos que votarão em Serra difundiam uma mensagem de um blog, que se diz da campanha de Serra, afirmando que Marina Silva havia finalmente declarado apoio a Serra. A mensagem trazia uma suposta declaração de Marina Silva nada coerente com suas posições manifestas. Achei estranho e fui procurar pessoas mais próximas ao PV. Em poucas horas recebi o desmentido, publicado no blog oficial de Marina, e a postagem imediatamente desapareceu do blog de Serra.

Fiquei chocada com a ação deliberadamente desrespeitosa e mentirosa que de um só golpe atingiu outro partido (que optou por ficar neutro), uma figura pública respeitada, os eleitores de Marina, os demais eleitores (indecisos ou não)  e até mesmo os próprios Serristas, que no afã de comemorar uma conquista acabaram passando por mentirosos.  Hoje, já li no twitter que Sandra de Sá também desmentiu boato de que teria manifestado apoio a Serra.  Informação que também havia sido repassada por partidários de Serra. Será que os assessores acreditam que podem conseguir um significativo número de votos com isso? Não conseguem perceber a antipatia que estão conquistando?  Vale a pena o saldo entre votos ganhos e perdidos? Não avaliam o desgaste, que pode ser permanente, para a credibilidade de seu candidato?

Um outro episódio dessa semana: recebi ligações de campanha dos dois candidatos. Não são eles, claro, é uma mensagem gravada. A de Dilma enaltecia algumas de suas propostas. Se são as melhores, ou não, cada um que pondere e tire suas conclusões. Não mencionava sequer a palavra adversário. A de Serra só falava de Dilma, mal é claro. Sim, mas e ai? Ele acha a candidata desqualificada? Direito dele. Mas porque eu deveria dar meu voto a ele? Porque ele disse que ela não está preparada, não tem “biografia”? Só isso?  Senhores, algumas pessoas não gostam disso, dessa atitude mexeriqueira, nem no universo doméstico, na vizinhança ou no ambiente de trabalho. Eu não gosto, lembro logo de minha avó dizendo: “cesteiro que faz um cesto, faz um cento”, ou seja,  se você percebe alguém sendo desleal com outro saiba que ele pode fazer o mesmo com você a qualquer tempo. Ao invés de dúvidas em relação ao outro mencionado, isso desperta desconfiança a respeito de quem fala.

Eu venho me sentindo muito, muito ofendida pela campanha do Serra. Não por suas propostas, não por suas idéias, nem pelos partidos que o apóiam. Posso discordar de tudo isso e ainda assim manter o respeito por quem pensa diferente de mim. Viver democraticamente é isso. Eu poderia não votar em Serra e manter o respeito pela sua pessoa. Mas não poderei. Sua campanha vergonhosa e ofensiva me agride como ser humano pensante e como cidadã. Eu entendo perfeitamente que no calor das campanhas, as rivalidades se acirram, as palavras endurecem e a paixão se sobrepõe a razão. Tratando-se de posições tão antagônicas é no mínimo esperado. Mas é preciso respeitar certos limites. Assim como as pessoas a quem se pede confiança na forma de voto. Antes que alguém comece a pensar em me atacar, alegando publicismo partidário, esclareço que não acredito em partidos. Acredito somente em pessoas e em idéias. E a idéia que essas “estratégias” me passam não é nada simpática.

Quer ganhar minha simpatia? Me apresente idéias e não tente me alienar do meu direito ao livre pensar com boatos, temor, ou mexericos. Eu repudio esse tipo de  terrorismo intelectual que tenta estabelecer imposição e domínio na disseminação da confusão e do medo.  Espero que não haja mais espaço para isso no Brasil.  Ao que parece os assessores e coordenadores da campanha demo-tucana não entendem bem o significado de uma ofensiva estratégica. Nem conhecem bem o perfil do brasileiro. Partem para um jogo de ofensas nada carismático que, no meu humilde entender, só desgasta cada vez mais a imagem do homem que hoje é candidato a presidente, e que no futuro, seja qual for o resultado desta eleição, talvez queira continuar sua alardeada “biografia” política.

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