A rebinboca do ADSL


Estive afastada de minha Nau desde o início de novembro.  Sentia saudades e uma frustração incômoda.  Uma distância imaterial e intransponível entre minha palavras e seu libertário veículo. Dessa vez o motivo foi algo que a maioria de nós conhece bem: fui “desconectada”.  Sem qualquer razão aparente a conexão banda larga disse adeus.  Liguei para reclamar com a Oi.  Da primeira vez me pediram para aguardar até o fim da tarde do dia seguinte. Estavam fazendo um reparo numa estação sei-lá-onde e era preciso trocar uma placa XNHGD@#%¨, essencial para normalizar o serviço no meu bairro. Eu tive a impressão que essa explicação era a clássica “rebinboca da  parafuseta”, em uma versão digital. Se você já teve a impressão de que os atendentes da Oi se divertem dando explicações estapafúrdias, levante a mão! Teve que levantar né?

Nos dias que se seguiram fomos contemplados com o melhor da visão empresarial e alta tecnologia do mundo Oi: toda vez que ligávamos para reclamar nem conseguíamos acessar o menu e pedir para falar com um  atendente.  No terceiro toque uma mensagem robótica atendia informando um novo prazo para normalizar o serviço.  A visão do desgaste dos troncos ocupados com as incessantes reclamações ativou a sua  solução hi-tech (téc-téc-téc, canta a manivela): dispensar o cliente, sem realmente atender nem dar um protocolo, mas alimentando esperanças. Simples Assim!

Como eles sabiam que era eu de novo, outra vez? Eu estava ligando do fixo. Na necessidade de enviar um arquivo urgente tentei usar uma lan house. Pendrive na mão,  andei várias quadras para descobrir que o probleminha técnico se estendia por grandes trechos do meu bairro. Eu queria uma explicação e, principalmente, uma solução. Tentei driblar a alta tecnologia, liguei do celular. Consegui capturar um desavisado atendente que novamente desfiou para mim suas justificativas incompreensíveis. Avisei que ia reclamar na Anatel. Pedi que ele registrasse isso no atendimento. Dois dias depois, o modem voltou a vida, a luz do ADSL estava acesa. Bom? Fim? Nada disso. O equipamento onde é feita a distribuição do sinal continua com defeito. Aparentemente a conexão está ativa, mas na prática, as páginas não carregam, os mails não vem nem vão.

Faz tempo que tenho consciência de como somos dependentes da internet para comunicação e trabalho. Essa breve tragicomédia me causou transtornos e alguns prejuízos. Mas o pior foi perceber o desgaste emocional da desconexão. A aflição, angústia, preocupação, a desolação de se sentir forçosamente ausente de convívios que nem percebemos termos nos acostumado tanto.  Nem sei dizer quando me tornei uma internauta, mas agora percebo que essa é mais uma parte de mim. Uma parte que padece nas mãos ineficientes da Oi, na dolorosa espera de poder lhe dizer: até nunca mais!

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