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E quando a chuva passar?


Estou acompanhando a cobertura da tragédia na região Serrana.  Nem encontro as palavras adequadas para expressar a angústia que senti vendo as imagens do estrago e das pessoas desesperadas acenando para os helicópteros de reportagem. Acredito que muitos devem estar sentindo o mesmo que eu agora.  A impotência da fragilidade humana frente a força incontrolável da natureza. A proximidade parece aumentar, não a dimensão, mas a associação afetiva com a tragédia. Esse é meu sentimento inicial, um desejo de parar tudo e disponibilizar minhas competências para meus conterrâneos fluminenses.

Aproveito para pedir a quem puder enviar alimentos não perecíveis, água potável, roupas e cobertores, que procurem um posto dos bombeiros ou de assistência social mais próximo de sua casa. A Cruz Vermelha já está mobilizada para receber e encaminhar as doações em sua sede no Centro do Rio. Quem tiver mais condições de tempo e estrutura, peça aos amigos e vizinhos que colaborem e depois solicite a retirada das doações. Ainda não há uma relação ordenada de endereços de postos de coleta, mas é provável que até o final do dia já exista maior organização para esse apoio. Infelizmente a situação parece ser tão caótica que não seria o caso de grupos de voluntários se encaminharem para a região. A menos que tenham sido convocados e que tenham treinamento apropriado.  O HemoRio também está precisando de sangue para enviar a Região Serrana. Existem algumas condições básicas que podem ser conferidas seguindo o link.  Como não é necessário estar em jejum, a doação pode ser feita a qualquer hora.  O HemoRio fica na Rua Frei Caneca, 8, no Centro do Rio, próximo ao Hospital Souza Aguiar. Não dói, não demora e faz bem à sua saúde física e mental. Não esqueça de levar um documento de identificação.

Em meio a prerrogativa de tentar ajudar de alguma forma, uma pergunta não cala em minha mente: quantas tragédias de janeiro teremos que vivenciar antes que políticas públicas sérias e permanentes de infra-estrutura e de respeito ambiental sejam implantadas? Até quando teremos que nos horrorizar com as mortes e  nos mobilizar como cidadãos solidários para compensar os efeitos devastadores das calamidades anunciadas? Nessa hora a culpa recai sobre a natureza implacável, os fenômenos incontroláveis e imprevisíveis. Ok, concordo que a chuva seja o agente da destruição em muitas dessas situações. Mas as tragédias não poderiam ter sido evitadas ou minimizadas? Uma barreira de água que ameça romper, e que fica acima de uma cidade, não deveria ter recebido vistoria permanente e manutenção preventiva? Construções em áreas de risco não deveriam ter sido impedidas pelo poder público?  Quem cuida das encostas, do saneamento, das liberações para obras? A Natureza é poderosa mas o descuido e os abusos ajudam, e muito, que seus efeitos sejam danosos à sociedade humana.

Em breve devemos ver anunciado alguma ajuda federal, o poder público contabilizará as perdas humanas e materiais, números e estatísticas serão anunciados e registrados.  A exemplo do que aconteceu no morro do Bumba e em Angra, daqui a um ano talvez tenhamos matérias sobre os desabrigados e os efeitos nas vidas dos sobreviventes. O que me incomoda, e me revolta até, é saber que em pouco tempo tanto o poder público quanto os veículos de comunicação deixarão o assunto de lado. O sol vai voltar, o Carnaval vai chegar, o potencial turístico vai ser mercadoria mais interessante de ser veiculada do que a discussão sobre a prevenção dos riscos anuais das chuvas. Chego a conclusão de que nossa pior calamidade é o descaso público e a memória fulgaz pautada pela mídia.  Agora talvez não seja o momento apropriado para pensarmos isso. Nossa cidadania solidária foi evocada e devemos responder ao chamado.  O Estado parece ter se acomodado com nossa presença ativa. Nós que quando olhamos, vemos vidas sendo destroçadas e não números comparativos em tabelas e relatórios. Vamos então  fazer o melhor que pudermos para ajudar a população serrana a superar essa crise. Mas, e quando a chuva passar? O que vai acontecer com essas pessoas e cidades? Não deveríamos permanecer atentos e solidários para cobrar ações e investimentos que evitem tragédias futuras?

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