Eterno Natal


Difícil não notar a beleza daquelas crianças, surgidas do nada, com roupas humildes e com semblante tão iluminado. Pareciam saber exatamente onde iam, enquanto subiam o morro tão determinadas. Quem seriam elas? Em dado momento, se deram as mãos, sorriram e cada qual tomou seu caminho. Continue lendo

Um raro despertar


Tic Tac Tic Tac! Enquanto o pássaro cantava na janela, saudando novamente a chegada do dia, e o calor aconchegante do sol, ele preparava calmamente seu café da manhã. Sem muito luxo, sentou-se e apreciou seu desjejum. Logo iria para o trabalho. Arrumou-se com cuidado. Sua aparência era a melhor possível: tranquilo, saudável e … feliz! Saiu do apartamento no momento em que a senhoria, que costumava estar sempre irritadiça, vinha chegando. Ela estava diferente, parecia estar em paz consigo mesma. Engraçado! Nunca antes havia conseguido reparar como ela era uma senhora bonita, devia ter sido uma jovem bastante atraente. Porque será que ela vivia tão sozinha? Parou para lhe dar bom dia e foi recebido com extrema simpatia. Falaram um pouco sobre assuntos do prédio e se despediram. Continue lendo

Um Anjo no asfalto


Ele vinha caminhando, perdido na noite, alheio a tudo a sua volta. De repente, um par de olhos lhe chama a atenção. O curioso é que não são olhos especiais, nem cheios de vida, tampouco são os olhos da mulher amada. São olhos comuns, tristes e carentes, vazios de esperança. São os olhos de uma criança sofrida. Um anjo do asfalto!

Durante o dia não podemos avaliar a tristeza deste olhar, mas à noite, quando todos se recolhem em suas casas, é que eles aparecem, em cada esquina, embaixo de cada marquise, nas portas dos bares. São famintos de amor e esperança.

Foi só um lampejo, um instante, rápido e fulgaz, e ele viu tudo isso, mas como todos nós, seguiu seu caminho. Resolveu parar em um bar, pediu um chopp e entregou-se a seus pensamentos. Parecia que nada fazia sentido. Tinha um bom emprego, uma casa, uma vida agradável, mas sentia um enorme vazio dentro de si. Era como se tudo o que já fizera não tivesse significado no livro da vida.

Como que saído do nada, eis que surge novamente o anjo, faminto, com frio. E ele só observa. Aquela figura magricela e tímida lhe pede comida. Num arroubo manda o anjo de olhos sofridos sentar. Pede que lhe conte a sua história enquanto come. Antes não o tivesse feito! Tudo o que vivera não lhe preparara para enfrentar tão dura realidade. Como podia uma criança tão franzina já ter vivido e sofrido tudo aquilo? Como podia já ter visto o que ele, que se considerava um homem vivido, só via em jornais e na televisão?

A vida daquele anjo daria um livro se pudessem publicá-la, mas seria um livro de terror e violência, de incompreensão e desamor. E mais que tudo de preconceito e abandono social.

Perguntou-lhe por seus pais. Nem mesmo os conhecera. E quem cuidava dele? Se “virava” por aí. Perguntou-lhe se gostaria de ter uma família, e num lampejo aqueles olhos tristes se tornaram tão infinitamente meigos, que o emocionou. O anjo só disse “sim”, sem dar razões, sem fazer pedidos.

Uma estrela cruzou o céu e uma louca idéia iluminou seu ser. No maior gesto de coragem de sua vida, ele levantou e deu a mão ao anjo. Já não havia vazio em seu coração, a solidariedade e a humanidade o haviam preenchido. “Venha filho!”, foi tudo o que disse e não precisou dizer mais nada. A infinita percepção infantil se encarregou do resto. E juntos, de mãos dadas, caminharam pelo asfalto para uma nova vida.

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Quem é o seu inimigo?


Hava um homem que vivia reclamando da vida, pois tinha certeza absoluta de que um perseguidor invisível atrapalhava tudo o que fazia. Qualquer caminho que tomasse e lá estava ele para transformá-lo, desviando-o de seus propósitos. Por isso, dizia ele, jamais conseguia alcançar objetivos em qualquer coisa que tentasse. Seus amigos, de tanto ouvir suas lamentações, lhe aconselharam a procurar um poderoso mago, famoso na região em que viviam. Ele com certeza seria capaz de resolver o problema.

Desconfiado sempre, decidiu ao menos tentar. Se tal mago não desse solução, daria o caso como perdido de vez. Chegando lá, já começou a irritar-se por ter que esperar. Quem poderia ter aflição igual ou maior do que a dele? Devido a gravidade de suas suspeitas, acreditava merecer atenção prioritária. Quando chegou sua vez, aproximou-se e com voz desanimada foi logo explicando: “Senhor mago, para qualquer lado que me viro, qualquer caminho que escolha, encontro sempre esse misterioso e sombrio perseguidor a espreita, para sabotar-me. Por isso até hoje não consegui ter sucesso na vida. Peço que ao menos o torne visível. Assim poderei acertar minhas contas com ele. Ou fazer um acordo para que ele me permita ser uma pessoa bem sucedida!”

Com sorriso sempre afável e voz confortadora o velho mago perguntou se ele estava realmente preparado para encontrar a quem tanto temia e tanto poder parecia ter sobre sua existência. Com a resposta afirmativa, ele moveu sua varinha e, zapt, concedeu o desejo. Olhando bem fundo nos olhos da figura que surgia a sua frente, o pobre homem pareia sufocar. Depois de todos esses estava cara a cara com a fonte de suas frustrações e decepções, e só o que via era ele mesmo.

Quando não conseguir realizar algo na vida, não busque respostas fáceis, culpados ou desculpas extraordinárias. Procure primeiro a resposta dentro de você. Quase sempre é lá que ela está.