Voto em Serra porque …


Um vídeo produzido por universitários da UnB e veiculado no canal deles no You Tube “BrasileDesenvol”.  Segundo os autores, “um pouco de humor não faz mal a nínguém”. Eu concordo!

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Caminhos da rejeição


Chegando na reta final da campanha as ações e informações veiculadas pela assessoria tucana beiram a esquizofrenia. Inverdades de toda natureza brotam nas redes sociais, incluindo apoio de pessoas que rapidamente desmentem a boataria. Ontem no Facebook vários dos meus amigos que votarão em Serra difundiam uma mensagem de um blog, que se diz da campanha de Serra, afirmando que Marina Silva havia finalmente declarado apoio a Serra. A mensagem trazia uma suposta declaração de Marina Silva nada coerente com suas posições manifestas. Achei estranho e fui procurar pessoas mais próximas ao PV. Em poucas horas recebi o desmentido, publicado no blog oficial de Marina, e a postagem imediatamente desapareceu do blog de Serra. Continue lendo

Uma bolinha reveladora


Quero parabenizar ao SBT pela isenção ética da reportagem sobre o tumulto no Calçadão de Campo Grande e a agressão ao candidato José Serra. Já li em alguns locais na rede acusações contra a emissora por talvez fazer campanha para o PT. Uma de minhas qualidades mais irritantes é minha boa memória. Lembro com clareza de vários momentos em que comentaristas e âncoras do SBT criticaram duramente políticos do PT e o governo do presidente Lula. Ontem, no entanto, defenderam sua identidade como veículo de comunicação livre e não aceitaram o papel de replicador dessa tragicomédia.

Sou moradora de Campo Grande. Nem passei pelo Calçadão ontem, mas gostaria de esclarecer alguns pontos que podem auxiliar na leitura das imagens apresentadas. A Rua Cel Agostinho, também conhecida como Calçadão, é uma das principais referências comerciais de nosso bairro, e por isso mesmo está sempre lotada. Em dias comuns já é difícil para qualquer um transitar sem atropelos. Além dos inúmeros transeuntes, o espaço é tomado por ambulantes, artistas, religiosos, bancas de jornal, “homens-placa”, “homens-porta”, panfleteiros e outras tantas atividades. No meio do Calçadão existem vários pontos de descanso, com assentos e plantas, onde muitos jovens, inclusive estudantes uniformizados, se encontram para bater papo. Isso é o que encontramos  sem a expecionalidade de um momento político. Parecer acuado em um canto da rua é previsível, visto os obstáculos físicos e humanos que ela acomoda. Um empurrão mais forte se tornar uma confusão também não é extraordinário dado o volume de pessoas e o efeito dominó, basta alguém com o ânimo mais esquentado.

O trajeto escolhido pela comitiva de Serra começava na esquina da Cesário de Melo e ia em direção à estação de trem. Como profissional, eu também escolheria esse trajeto. Motivo: o Calçadão tem um declive, com uma câmera bem posicionada à frente e a rotina frenética do local, Serra teria se “apropriado” da população que ali transita alheia a sua presença e apresentado uma “vitoriosa” caminhada “apoiada” pela boa gente de Campo Grande.

Imagino que a assessoria de Serra tinha um roteiro bem elaborado em mente. Só não contavam com o surgimento de cartazes feitos de improviso, cartolina e canetinha, manifestando revolta e repúdio com ações passadas de Serra. Manifestações contrárias não ficariam bem perante mídia convidada e não seriam toleradas. A confusão foi causada em parte pela dificuldade do candidato de lidar com opiniões divergentes. A própria Folha admite que primeiro os seguranças de Serra tomaram os cartazes dos mata-mosquitos e rasgaram, “depois os outros começaram a confusão”. Espera um pouco, vamos pensar com clareza, tomar algo de propriedade de outro e destruir não é também incitar a confusão? E anti-democrático? Um cerceamento do direito de expressão de outro? Não estou defendendo que o agredido retribua, mas estou afirmando que nessa história não houve nem inocentes nem injustiçados. As agressões registradas pelos telejornais não tinham legenda, eram de todos e de qualquer um. O cordão de isolamento demonstrava bem que o espírito do confronto era bilateral. A bolinha de papel acabou sendo um bônus casual.  Factóide de improviso para que a mal fadada visita não resultasse em perda total. O SBT teve a ombridade de dizer isso com todas as letras, enquanto outros veículos tentavam imputar culpa, justificar excessos e evocar a comoção pública. A julgar pela repercussão em rede, e pelos comentários nas ruas, um dos piores movimentos de toda campanha. Serra não convence no papel de vítima. Quem diria que uma simples bolinha de papel seria responsável por tantas máscaras caídas!

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Bastiões da hipócrita moralidade


Circula na internet e em alguns outros veículos que D. Mônica Allende Serra já fez um aborto. Ela teria comentado o fato para suas alunas do curso de Psicologia do Desenvolvimento aplicada à Dança, na época que lecionava no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Como Sheila Ribeiro, a aluna que acabou revelando o fato, sou solidária a sua dor. Para mim isso não a desabona nem como pessoa, nem como mulher, menos ainda como candidata a Primeira-Dama. Como já disse, sou contrária ao aborto por questões ideológicas, mas não faço juízo de ações que desconheço as motivações. Acredito que abortar sempre envolve um trauma para a mulher.

Foto: Arquivo CDB

O que me parece imperdoável são suas ações presentes. Em primeiro lugar, porque D. Mônica Serra, tendo sofrido na carne as mazelas do aborto, aceitou participar ativamente da baixaria promovida pela campanha eleitoral “demonizadora” de seu marido. D. Mônica Serra disse ao evangélico Edgar da Silva, de 73 anos, que Dilma era “a favor de matar criancinhas”. Isso porque o vendedor ambulante declarou que votaria em Dilma. O episódio deplorável se deu em Nova Iguaçú, município da Baixada Fluminense, onde foi pedir votos para o marido em companhia do destemperado Índio da Costa. Fez lembrar os tempos da ditadura, onde a boataria de que comunistas comiam criancinhas aterrorizava os mais humildes e menos informados. Continue lendo

Aborto: hipocrisias e manipulações


Sou contra o aborto. Uma postura ideológica minha, permeada pelos dogmas da minha fé. Sou uma feliz mãe de três filhos. Nunca fiz um aborto, nem incentivei ninguém a fazer. Muito pelo contrário.  Passei muitos momentos difíceis em minha maternidade, especialmente quando queria poder prover meus filhos de mais opções e não podia. Tenho orgulho de ter enfrentado esses desafios.  Se o aborto não fosse crime, ainda assim eu não o faria, a qualquer tempo. Tenho convicção das minhas escolhas e da minha fé. Se minha filha, ou uma namorada de meus filhos, ou mesmo uma conhecida me falarem em aborto, tentarei dissuadi-las. Argumentarei, apresentarei opções, oferecerei apoio. Essa sou eu, na esfera privada de minha existência. Digo essas coisas, tão particulares, para que entendam porque me sinto à vontade para afirmar que considero a polêmica do aborto levantada nessa campanha eleitoral uma das maiores hipocrisias político-religiosas-eleitoreiras dos últimos tempos. Continue lendo

Seleção por eliminação – Cotas


Não voto em quem defende sistema de cotas como solução única para promover a igualdade social. Sistema de cotas pode até fazer parte do processo amplo de estruturação de uma sociedade igualitária, mas como um instrumento pontual, uma etapa enquanto se revitalizam setores sucateados, como vem sendo a educação. Mas o que deveria ser uma parte do meio tem se transformado em fim no garimpo eleitoral. Pode até parecer que não, mas sistema de cotas só legitima a exclusão e a segregação. Quando aceitamos que a sociedade seja “fatiada” para negociação de alguns poucos privilégios, nos enfraquecemos na cobrança daquilo que deveria ser priorizado como direito de todos. Continue lendo

Seleção por eliminação – Religião


Já mencionei que não voto em candidato que panfleta religião. Nem mesmo a minha. Acredito que algumas coisas não devem se misturar. Reconheço que existe uma certa lógica perversa nessas candidaturas: alguns políticos evangélicos, em várias regiões do país, depois de eleitos começaram a usar a máquina pública para discriminar e perseguir outras religiões e visões de vida. O que poderia ser visto como desvio particular de um indivíduo passou a representar uma ameaça imaginária que sustenta o discurso do “Temos que eleger nosso representante também, para defender nossos direitos!”. O direito a liberdade de crença é garantido pela Constituição, e sua violação já é criminalizada. Se a proposta fosse lutar pela defesa e garantia de liberdades, seria até aceitável. É uma plataforma justa e sempre necessária. Na defesa dos direitos do outro, estamos garantindo nossos próprios direitos. Mas utilizar a máquina pública para sustentar embates teológicos não é nem um pouco aceitável. Pior ainda, são os que intimamente sonham com a possibilidade de disseminação estatutária de sua fé. Se compactuarmos com isso, em pouco tempo legislativo e executivo não serão mais do que tribunas de uma Guerra Nem Tão Santa Assim.

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