Dois pesos, duas medidas, sempre!


Voltei a receber mails convocando protestos contra a condenação de Sakineh. Não sou a favor da pena de morte, mas também não me considero devidamente a par dos fatos, jurídicos ou culturais, para opinar. Admirei o Plínio no debate da Record, quando rebateu a armadilha do Serra afirmando que quem se o Brasil tem relações com os EUA, porque não com o Irã? Compartilho abaixo o texto de Douglas da Mata do Planície Lamacenta que com muita sobriedade fala sobre o assunto.

Dois pesos, duas medidas, sempre!

Douglas da Mata

Em primeiro lugar, deixemos as coisas claras:
Esse blog é contra a pena de morte.
Esse blog é pelo direito internacional da soberania e autonomia dos povos para decidirem com irão aplicar suas leis penais.

Por isso, não nos assusta que no último dia 23 de setembro, Teresa Lewis, condenada à morte pela Corte do Estado da Virgínia, EEUU, tenha sido executada por injeção letal.

O que nos assusta é o silêncio do PIG e de vários blogs, que, com silêncio e indiferença não gritaram pelos direitos humanos daquela mulher, nem acusaram os EEUU, muito menos o estado da Virgínia de atentar contra o gênero feminino.

Ninguém pediu o rompimento diplomático com os EEUU.

Detalhe: Virgínia foi submetida a um teste de QI, pois desconfiava-se de que não era capaz de entender a totalidade de seus atos, e o resultado deu 72, apenas dois míseros pontos acima do mínimo exigido para definir seu estágio cognitivo como “normal”.

Outro detalhe: Seus dois cúmplices, que a manipularam(conforme consta do processo), sendo que um deles apertou o gatilho, para receberem o seguro da vítima, foram condenados a prisão perpétua, ao contrário de Virgínia.

Repetimos a pergunta da coluna A Semana, de Carta Capital: Será que toda essa indiferença se deu pelo fato de que ela não morava no Irã?

Quem sabe?

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Hillary e Irã, a mídia e os fatos


Já pelas tantas de ouvir a reapresentação do alardeado discurso da Srª Clinton, não pude evitar uma comparação exagerada reconheço, mas coerente com o modo de agir dos norte-americanos. O menino rico descobre que o moleque pobre, que não é amigo dele, tem algumas peças para construir um brinquedo igual ao dele. Ele acredita que ser o único a ter esse brinquedinho lhe garante destaque sobre os outros meninos, amigos ou não. É preciso impedir o moleque pobre, castigá-lo por desafiar a ordem já estabelecida. Mas o mundo mudou, os outros meninos e meninas estão crescendo, pensando por si mesmo. Para evitar uma confusão danada no play, dois outros meninotes, que outro dia mesmo eram tratados como moleques, resolvem dar uma ajuda para acalmar os ânimos e todos poderem brincar em paz. O menino rico não aceita, esperneia, chama os serviçais da família, quer bater nos coleguinhas mas não pode. Já não é o mais forte, sem os outros não consegue nem lanchar direito. Manda os servos espalharem que o moleque é mau, pivete, vai destruir o pátio. Não duvido, nem acredito. Quem conhece esse moleque? Quem fala dele sem tomar partido? Não a nossa mídia servil. Continue lendo

O discurso de Hillary Clinton e as perguntas que não calam…


Desde ontem estou assistindo na Tv aberta e por assinatura o entediante discurso “endurecido” da Hillary Clinton. Nas emissoras participantes do Sistema Globo a matéria é divulgada como um impasse nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Pode até ser que estejam certos, mas vamos parar para pensar sobre o que está sendo dito. A Srª Clinton fala da importância das relações com o Brasil, credita a nosso país os méritos de contribuir com situações internacionais, MAS , entre tantas outras situações, prefere destacar nosso papel no Haiti.

Depois de assoprar um pouquinho nosso ego, a imponente Secretaria de Estado dos EUA deu aquela mordida. Depois de ouvir várias vezes o discurso, alguns pontos ficam claros: primeiro é que os Estados Unidos possuem diretrizes “próprias” para definir sua política interna e externa, e não aceitará mudá-las. É a doutrina Obama. Tudo bem, concordo. A isso chamamos soberania, algo de direito de toda Nação. O problema é quando a manutenção da sua soberania pressupõe a intervenção na minha. Será que agora todos os países do mundo são submetidos aos propósitos soberanos norte-americanos? Seremos todos colônias? Devemos então temer o castigo dos insurgentes? Continue lendo