O prejuízo é sempre nosso V


Aproveitei a oportunidade de estar próxima ao Fórum de Campo Grande para verificar a quantas andava meu processo contra o Bradesco. Eu já contei sobre ele anteriormente, nos posts “O prejuízo é sempre nosso“, “O prejuízo é sempre nosso II“, “O prejuízo é sempre nosso III” e “O prejuízo é sempre nosso IV“. Meu advogado me explicou que basta eu comparecer ao cartório com o número do processo e o documento de identidade, me apresentar como uma das partes interessadas, e posso ver o processo. Foi o que fiz. O juiz decidiu a meu favor, fixando valores para ressarcimento e danos morais. Isso ainda em 2010. Agora a coisa se arrasta no cartório. Ou seja, ganhei mas não levei. Entre muitas idas e vindas, e demoras fenomenais, o juiz determinou, no fim de 2011, que fosse expedido um mandado de penhora a ser executado diretamente na tesouraria do banco. Fiquei esperançosa de chegar ao fim dessa jornada. Não sei quanto a vocês leitores, mas eu sou uma pessoa muito dinâmica, sempre envolvida em cumprimento de metas e prazos. Talvez por isso eu não goste de colecionar assuntos pendentes. Continue lendo

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Dois pesos, duas medidas, sempre!


Voltei a receber mails convocando protestos contra a condenação de Sakineh. Não sou a favor da pena de morte, mas também não me considero devidamente a par dos fatos, jurídicos ou culturais, para opinar. Admirei o Plínio no debate da Record, quando rebateu a armadilha do Serra afirmando que quem se o Brasil tem relações com os EUA, porque não com o Irã? Compartilho abaixo o texto de Douglas da Mata do Planície Lamacenta que com muita sobriedade fala sobre o assunto.

Dois pesos, duas medidas, sempre!

Douglas da Mata

Em primeiro lugar, deixemos as coisas claras:
Esse blog é contra a pena de morte.
Esse blog é pelo direito internacional da soberania e autonomia dos povos para decidirem com irão aplicar suas leis penais.

Por isso, não nos assusta que no último dia 23 de setembro, Teresa Lewis, condenada à morte pela Corte do Estado da Virgínia, EEUU, tenha sido executada por injeção letal.

O que nos assusta é o silêncio do PIG e de vários blogs, que, com silêncio e indiferença não gritaram pelos direitos humanos daquela mulher, nem acusaram os EEUU, muito menos o estado da Virgínia de atentar contra o gênero feminino.

Ninguém pediu o rompimento diplomático com os EEUU.

Detalhe: Virgínia foi submetida a um teste de QI, pois desconfiava-se de que não era capaz de entender a totalidade de seus atos, e o resultado deu 72, apenas dois míseros pontos acima do mínimo exigido para definir seu estágio cognitivo como “normal”.

Outro detalhe: Seus dois cúmplices, que a manipularam(conforme consta do processo), sendo que um deles apertou o gatilho, para receberem o seguro da vítima, foram condenados a prisão perpétua, ao contrário de Virgínia.

Repetimos a pergunta da coluna A Semana, de Carta Capital: Será que toda essa indiferença se deu pelo fato de que ela não morava no Irã?

Quem sabe?

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O prejuízo é sempre nosso… – parte IV


Quem acompanha minhas aventuras deve lembrar do episódio da ação judicial contra o Bradesco por conta de uma nota falsa em um caixa eletrônico. Se não lembra ou está chegando agora, são os posts com esse mesmo título e marcadores. Na época recebi diversas mensagens de solidariedade e incentivo e sinto que devo atualizá-los para não parecer uma história perdida, solta no ar. Eis então as novidades. Meu advogado entrou em contato para dizer que o juiz havia decidido a meu favor. Fiquei feliz com  o resultado e assim que pude fui ler a sentença na íntegra. Um misto de curiosidade pura e simples, e desejo de saber que havia sido ouvida. É um texto muito longo, cheio das argumentações legais pertinentes,e não cabe reproduzir aqui, mas quero comentar os pontos que considero mais importantes.

Quanto ao recebimento de uma nota falsa em caixa eletrônico ficou reconhecida a necessidade do banco se responsabilizar pelos serviços que presta: “Indiscutivelmente a lide tem amparo nos princípios que norteiam o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Desta forma, o réu responde objetivamente pelos danos gerados no exercício regular da atividade por ele desenvolvida (artigo 14, do CDC), bastando ficar comprovado o nexo de causalidade e a lesão sofrida, independentemente da existência de culpa, para nascer o dever reparar os danos causados.” Continue lendo

Ontem estava tão triste…


Nem vim aqui postar nada, porque estava entristecida e não sabia se tinha algo de bom a dizer. Depois da minha postagem sobre a morte do menino Wesley recebi vários mails. Alguns de solidariedade, alguns de pessoas querendo debater e dar idéias, alguns amigos pedindo autorização para divulgar em outros lugares. Recebi críticas negativas também, pessoas que entenderam que eu buscava culpados, outras culpando os moradores acreditando numa conivência coletiva. Até então tudo bem, quando expomos nossos pensamentos devemos estar preparados para as críticas de todo tipo. E eu respeito o direito do outro de ter seu próprio pensamento diferente do meu. Mas um desses mails me abalou. Continue lendo

Mais uma vitima inocente. Até quando?


Ontem acompanhei a notícia do menino morto com um tiro em plena sala de aula em Costa Barros. Eu trabalhei ali perto, como orientadora de aprendizagem do Programa de Aumento de Escolaridade da Prefeitura. Como educadora foi uma experiência enriquecedora, que merece um relato a parte. Como pessoa foram alguns momentos de grande agonia ver pessoas, que como eu só queriam viver em paz, reféns constantes de um embate que não era delas. Querer ajudar e pouco poder fazer frente a tantas necessidades.

Geograficamente, baseada nas imagens do telejornal, me pareceu pouco provável a explicação de que o tiro poderia ter partido do alto do morro, atravessado a linha férrea e atingido uma sala de aula dentro do CIEP. Mas não sou especialista e só tenho as notícias para basear minha opinião. E notícia, acreditem, não é um dado totalmente confiável. Notícia é informação tratada e editada para garimpar audiência. Continue lendo

Índio dificulta o vôo tucano


Sempre achei o Serra uma figura pública bipolar.  Vai da agressividade a euforia de uma maneira preocupante. Sim, porque é dessa maneira que ele pretende ocupar o cargo máximo do executivo. Depois de um verdadeiro cabo de guerra com o DEM, o presidenciável anunciou seu vice: Índio da Costa, o relator do Ficha Limpa. Parece que o PSDB esqueceu de verificar a ficha do deputado antes de aceitar a insistente exigência do Clã Maia. Menos de 24 horas depois do anúncio dos candidatos e a mídia já começa a lavar a roupa suja.

Na esfera política, Andrea Gouveia ameaça de licenciar do PSDB para poder se distanciar da campanha. Em 2006, ela foi a relatora da CPI que investigou o escandaloso favorecimento de uma empresa que fornecia merenda escolar para a prefeitura do Rio, quando Índio da Costa era o secretário de administração do governo Cesar Maia. O processo foi arquivado mas a vereadora não ficou convencida.

Na Justiça Cível, o deputado responde a um processo indenizatório movido pela família de um taxista, devido a um acidente de trânsito. Índio estaria dirigindo na contramão na Estrada do Itanhangá. A imprudência teria provocado a acidente em 2003. Ele nega, mas o processo prossegue e a família afirma ter testemunhas que comprovam sua versão.

Para apimentar ainda mais a sessão de fofocas dos jornais, parece que Serra está preocupado com a possibilidade de deslizes na vida amorosa de seu jovem vice. Não bastasse sabatinar e dar conselhos sobre amantes e a necessidade de se manter a discrição, o presidenciável decidiu que seria interessante contar publicamente a existência e teor de tal conversa enquanto se apresentava na Confederação Nacional de Agricultura, em Brasília. Fazer o que? Vai ver ele não lembrou de nada melhor para dizer!

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A culpa é de quem? – cont.


La pelas 13 hs, um pouco mais que isso, passei de novo no local, dessa vez no sentido Campo Grande. Nessa hora já era evidente que ali era o local de um acidente. Antes de nos aproximarmos do ônibus já era possível ver pequenos grupos observando e comentando. O trânsito seguia lento, já que agora haviam mais veículos parados na via. Um reboque parecia aguardar para retirar o ônibus. Entre ele e a casa, um carro de polícia que imaginei ser da perícia. Nem sei se nossa perícia tem viatura especial que a diferencie. Perto da casa, uma pequena multidão. Enquanto passávamos observei uma das rodas sendo empurrada por pelo menos dois homens para perto do reboque.

O corpo continuava lá, parecia que havia sido mexido. As pernas agora estavam completamente a mostra, exibindo as marcas da idade. Procurei nas duas pistas e não vi sequer sinal do rabecão. Pensei no desamparo dos cidadãos. Na família que tem que ficar ali, sofrendo, olhando o cenário de sua dor até ficar gravado na alma, sem poder fazer nada. Tem que esperar a perícia e o rabecão, é a lei.  Sei que quem é adepto da filosofia morreu acabou vai me dizer que segundo essa lógica não há desamparo na demora em atender e remover um morto. Mas eu vou continuar não concordando. Luto para viver uma vida digna, para mim e minha família, quero morrer com  a mesma dignidade. Ficar mais de quatro horas no chão, largado, exposto, esperando não me parece nada digno. Nem para mim, nem para os que amo. Continue lendo