Armagedon


Sonhos despertos

De um tempo que

Nunca  havido

Palavras confusas

Pólen ortográfico

Nuvem Mnemônica

Anseios? Delírios?

Premonição?

O palpitante vagar

Que se apresenta

Realidade

Uma estranha quimera

Amálgama disforme

Entre etéreo e concreto

Palpitante agonia

No limbo acásico

Quanto tarda raiar o dia

Intuição

Olhar caído

Razão perdida

Armagedon

Ninho de Cancão


Não sendo um pássaro

Escolhi voar

Sem saber a direção

Vagando no ar

Brisa e ventania

Liberdade ou solidão

Se alternando

Em perpétua migração

As asas cansadas

Fardo sem fim

Nas lutas travadas

Me perdia de mim

Quando nada esperava

Trajetória em desalinho

Do firmamento avistei

Teus braços, meu ninho.

Mãe, não chora não


Mãe, mãezinha, não chora não

Eu não gosto de te ver chorando

Não fica assim

Você fez tudo certo,

Fez tudo o que podia

Me deu amor, carinho

Me mandou estudar para ser alguém na vida

Sonhou meus sonhos

Me ouviu querer ser

Médica, professora, modelo, cantora,

Desistir de tudo e começar tudo outra vez.

Fosse o que fosse,

Você me incentivou

Acima de tudo

Eu queria ser mãe,

Uma que fosse tão boa,

Quanto você.

Você que cuidou de mim

Me protegeu de tudo

E agora está sofrendo

Sem que eu possa te abraçar

Um monstro roubou meus sonhos

Para transformar em pesadelo

Não sofre, mãe

Eu não gosto de te ver assim

Eu só quero que você me arrume mais uma vez

Bem bonita como você sempre gostou

Quero que se lembre de mim como sua princesa

Sua amiga, seu bebê sempre

Mãe, você me deu à vida

Hoje, um louco a tirou de mim

Você não podia imaginar

Quando me deu café

Um beijo e me mandou estudar

As pessoas estão dizendo

Que tudo isso é uma tragédia

Eu não sei te explicar

Só sei que não volto mais para casa

Para o conforto de seus abraços e broncas

Não se culpe

Nunca

Ninguém podia imaginar uma coisa dessas

Não se desespere, mãezinha

Vamos nos despedir

Sem dizer adeus

Se a tristeza e a saudade

Se tornarem pesadas demais

Lembre de como fomos felizes

Tenha forças, minha mãe querida

Meu amor por você

Nunca vai te abandonar.

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Felicidade


Buscar felicidade

Na perfeição dos sonhos realizados

Tola agonia

Tentar alçar o intangível

Felicidade

É saber olhar

A imperfeição com gratidão.

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Delírios


Na madorna da manhã
Entre real e fantasia
Rolo entre lençóis
Junto ao corpo que já não havia
Sinto o hálito
Que não sopra minha nuca
E o conforto das mãos
Que distantes descansam sozinhas
Vejo gotas de suor, sensuais
No exercício da paixão
Mas são só lágrimas
Perdidas
No tormento da saudade

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Um dia muito especial


Este pequeno poema está completando vinte e dois anos,  escrevi no nascimento de minha filha Katherine, minha primogênita.

Um dia muito especial

Em Outubro a primavera estava de volta

E com ela a mais linda flor

Doces pétalas e claro sorriso

Iluminando meu coração

A minha vida transbordou de amor

Ao ver tão lindo anjo

Katherine, tão pura alma

Que em um dia abençoado

Encheu de alegria meu lar!

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Alma Mater


A primeira mulher pariu
Na solidão do exílio
tendo a Lua por companhia
e única testemunha
Deu à luz suas filhas,
Guerreiras.
Nascidas solitárias
Envoltas no manto da noite
banhadas em bençãos prateadas
A Lua apiedou-se dessas mulheres
Fadadas a sofrimentos
Que só os homens sabem infligir,
Andarilhas,
Sempre em busca de si
e de suas partes
Fez das lágrimas silentes
Vertidas nas dores do parto
Fonte de vida sem fim
Escondida e revelada
Nos áridos desertos da existência
Quando as filhas das filhas
De sua filha primeira
Exauridas do combatente viver
Clamam seu auxílio celestial
Ela entoa melodia de amor.
Canção das Esferas.
Seu brilho soberano
Guiando de volta ao lar
Na alegria do encontro
As irmãs reunidas
Rodopiam em honra
a Divina Maternidade.

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