Poesia visceral


Autor desconhecido

Quer seja curto ou comprido

Quer seja fino ou mais grosso

É um órgão muito querido

Por não ter espinhas nem osso

De incalculável valor

Ninguém tem um a mais

E desempenha no amor

Um dos papéis principais

Quando uma dama aparece

Ei-lo a pular com fervor

Se é um rapaz, estremece

Se é velho, tem pouco vigor

O seu nome não é tão feio

Pois tem sete letrinhas só

Tem um R e um A no meio

Começa em C e acaba em O

Nunca se encontra sozinho

Vive sempre acompanhado

Por outros dois orgãozinhos

Junto de si, lado a lado

O nome destes porém

Não gera confusões

Tem sete letras também

Tem L e acaba em ÕES

Prá acabar com o embalo

E com as más impressões

Os órgãos de que eu falo…

São o CORAÇÃO e os PULMÕES.

PENSOU BESTEIRA, NÃO É ???

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Omi Ayê


Caminhando errante na mata

Ouvi um sussuro a me chamar

Com passos trêmulos,

Fui ao seu encontro

Nas margens daquele riacho

Como pediu,

Mergulhei em suas águas calmas,

Confiante

Sem saber o que procurar

Sem imaginar o que iria encontrar

Emergi, renascido

Reluzindo ao mais puro anil

Bem segura minha mão trazia

A pedra que selava nossa união

A revoada dos pássaros sagrados

Lançou em minha fronte a rubra pena

O som indomável da cachoeira

Libertou-se de minha garganta

E, sem saber como, teu nome pronunciei.

Já não era um errante na mata

Mas muitos caminhos ainda deveria trilhar

Hoje, retorno de minha longa jornada

Ao mesmo ponto onde ela começou.

Tudo aparentemente tão igual,

Mas agora tão diferente.

A mesma voz do riacho

Ouço agora na bela senhora

Que tranqüila me espera na margem.

“Mãe, voltei…” – sussuro

Num claro sorriso ela responde:“Eu sei, filho! Você cresceu!”

Segredos


A saudade de um breve instante,

Carícia triste da promessa de ser feliz.

Eis que passado já não podemos viver

O momento infinito maior do que o próprio tempo.

E no fundo do fundo dos olhos traiçoeiros

Que teimam em revelar aquilo que se deve esconder,

Eis que arde acesa a teimosa chama

De um amor tão intenso

Que só aos Deuses poderá pertencer.

Ganha e perde


Ganhar a guerra

Perder a vida

Perder o tempo

Ganhar o amor

Ganhar o pão

Perder a fome

Perder a cor

Ganhar a paz

Perder o sono

Ganhar a fama

Ganhar a amizade

Perder as resistências

Ganhar a linha dura

Perder a liberdade

Perder a fé

Ganhar o desespero

Perder o respeito

Ganhar a violência

Ganhar o jogo

Perder a esperança.

Tudo na vida tem seu preço!

Saudade que já passou


Às vezes brigamos sem querer, e depois fazemos de novo as pazes, quase sem perceber.

Já se vão dias  sem sentir teu toque
Sem provar teus lábios
Sem sentir tua pele
A minha volta somente o vazio da tua falta
A alegria, a paz, a felicidade se foram
O que aconteceu afinal
Se tanto ainda nos une?
Quantos gostariam de possuir
Uma cumplicidade e um companherismo como o nosso.
Quantas vezes podemos nos comunicar,
Nos entender, sem completar as palavras.
Onde foi que erramos?
Talvez justamente ao não completar as palavras
Que mais precisavamos ouvir e dizer
De que adianta agora
Sofrer avaliando meus erros.
De que adianta
Apontar os erros que você também cometeu
Se isso não vai trazer você de volta
Se já não posso acarinhar teu rosto
Beijar tua face, tua pele
Te abraçar, aconchegar teu sono
E falar baixinho ao teu ouvido sonolento: noite, amor…