O prejuízo é sempre nosso V


Aproveitei a oportunidade de estar próxima ao Fórum de Campo Grande para verificar a quantas andava meu processo contra o Bradesco. Eu já contei sobre ele anteriormente, nos posts “O prejuízo é sempre nosso“, “O prejuízo é sempre nosso II“, “O prejuízo é sempre nosso III” e “O prejuízo é sempre nosso IV“. Meu advogado me explicou que basta eu comparecer ao cartório com o número do processo e o documento de identidade, me apresentar como uma das partes interessadas, e posso ver o processo. Foi o que fiz. O juiz decidiu a meu favor, fixando valores para ressarcimento e danos morais. Isso ainda em 2010. Agora a coisa se arrasta no cartório. Ou seja, ganhei mas não levei. Entre muitas idas e vindas, e demoras fenomenais, o juiz determinou, no fim de 2011, que fosse expedido um mandado de penhora a ser executado diretamente na tesouraria do banco. Fiquei esperançosa de chegar ao fim dessa jornada. Não sei quanto a vocês leitores, mas eu sou uma pessoa muito dinâmica, sempre envolvida em cumprimento de metas e prazos. Talvez por isso eu não goste de colecionar assuntos pendentes. Continue lendo

Caminhos da rejeição


Chegando na reta final da campanha as ações e informações veiculadas pela assessoria tucana beiram a esquizofrenia. Inverdades de toda natureza brotam nas redes sociais, incluindo apoio de pessoas que rapidamente desmentem a boataria. Ontem no Facebook vários dos meus amigos que votarão em Serra difundiam uma mensagem de um blog, que se diz da campanha de Serra, afirmando que Marina Silva havia finalmente declarado apoio a Serra. A mensagem trazia uma suposta declaração de Marina Silva nada coerente com suas posições manifestas. Achei estranho e fui procurar pessoas mais próximas ao PV. Em poucas horas recebi o desmentido, publicado no blog oficial de Marina, e a postagem imediatamente desapareceu do blog de Serra. Continue lendo

O prejuízo é sempre nosso… – parte IV


Quem acompanha minhas aventuras deve lembrar do episódio da ação judicial contra o Bradesco por conta de uma nota falsa em um caixa eletrônico. Se não lembra ou está chegando agora, são os posts com esse mesmo título e marcadores. Na época recebi diversas mensagens de solidariedade e incentivo e sinto que devo atualizá-los para não parecer uma história perdida, solta no ar. Eis então as novidades. Meu advogado entrou em contato para dizer que o juiz havia decidido a meu favor. Fiquei feliz com  o resultado e assim que pude fui ler a sentença na íntegra. Um misto de curiosidade pura e simples, e desejo de saber que havia sido ouvida. É um texto muito longo, cheio das argumentações legais pertinentes,e não cabe reproduzir aqui, mas quero comentar os pontos que considero mais importantes.

Quanto ao recebimento de uma nota falsa em caixa eletrônico ficou reconhecida a necessidade do banco se responsabilizar pelos serviços que presta: “Indiscutivelmente a lide tem amparo nos princípios que norteiam o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Desta forma, o réu responde objetivamente pelos danos gerados no exercício regular da atividade por ele desenvolvida (artigo 14, do CDC), bastando ficar comprovado o nexo de causalidade e a lesão sofrida, independentemente da existência de culpa, para nascer o dever reparar os danos causados.” Continue lendo

A culpa é de quem? – cont.


La pelas 13 hs, um pouco mais que isso, passei de novo no local, dessa vez no sentido Campo Grande. Nessa hora já era evidente que ali era o local de um acidente. Antes de nos aproximarmos do ônibus já era possível ver pequenos grupos observando e comentando. O trânsito seguia lento, já que agora haviam mais veículos parados na via. Um reboque parecia aguardar para retirar o ônibus. Entre ele e a casa, um carro de polícia que imaginei ser da perícia. Nem sei se nossa perícia tem viatura especial que a diferencie. Perto da casa, uma pequena multidão. Enquanto passávamos observei uma das rodas sendo empurrada por pelo menos dois homens para perto do reboque.

O corpo continuava lá, parecia que havia sido mexido. As pernas agora estavam completamente a mostra, exibindo as marcas da idade. Procurei nas duas pistas e não vi sequer sinal do rabecão. Pensei no desamparo dos cidadãos. Na família que tem que ficar ali, sofrendo, olhando o cenário de sua dor até ficar gravado na alma, sem poder fazer nada. Tem que esperar a perícia e o rabecão, é a lei.  Sei que quem é adepto da filosofia morreu acabou vai me dizer que segundo essa lógica não há desamparo na demora em atender e remover um morto. Mas eu vou continuar não concordando. Luto para viver uma vida digna, para mim e minha família, quero morrer com  a mesma dignidade. Ficar mais de quatro horas no chão, largado, exposto, esperando não me parece nada digno. Nem para mim, nem para os que amo. Continue lendo

A culpa é de quem?


Ontem, alguns acontecimentos me levaram a refletir mais sobre a vida. Passei a maior parte do dia pensando nisso. A cada intervalo, em cada deslocamento.  Pensava na fragilidade concreta e no valor abstrato da vida.

Tudo começou  pela manhã, quando eu seguia pela Avenida Santa Cruz em direção a Bangú.  Em determinado momento avistei de longe um ônibus parado na pista oposta,  dificultando a passagem. No sentido em que eu seguia o trânsito estava um pouco mais lento. Olhando pela janela, vi uma senhora  na calçada da outra pista tirando fotos de uma roda enorme caída no portão da garagem de uma casa. Pelo tamanho deu logo para entender o motivo do ônibus parado na pista. Perdeu a roda e estragou o portão de alguém. De longe dava para reconhecer as cores de uma empresa famosa na Zona Oeste: FEITAL. Fazia sentido, ou quase isso. Ninguém sabe como uma empresa como essa pode continuar funcionando impunemente,  só o que se sabe é que ela mantém suas sucatas operando até que solte o último parafuso. Continue lendo

O prejuízo é sempre nosso… – parte III


Como já havia dito, eu tenho algumas reflexões sobre a difícil, e inevitável, relação entre bancos e clientes. Desde o episódio da nota falsa e da necessidade de recorrer ao auxílio jurídico para resolvê-lo tenho pensado muito nisso. E agora compartilho algumas dessas reflexões.

Para começar vamos ao incentivo para o uso dos caixas eletrônicos, home banking, internet e postos não bancários como supermercados, lotéricas e agências do correio. A justificativa para a implantação desses recursos era o melhor atendimento ao cliente, estendido a horários não cobertos pelas agências. Antes da lei que estabelece um tempo máximo de espera pelo atendimento, que muitos ainda não conseguem cumprir, essa parecia a resposta imediata para quem não queria ou não podia ficar horas nas filas. Continue lendo

O prejuízo é sempre nosso… – parte II


Vou contar como foi a audiência sobre a nota falsa que recebi.  Mas quero depois compartilhar com vocês algumas reflexões sobre alguns aspectos cruéis das nossas relações com o sistema bancário. Ontem, no horário marcado fomos chamados, estávamos todos presentes, fomos acomodados e o juiz inicialmente perguntou se havia proposta.  Como ele perguntou somente aos representantes do Bradesco, acredito que era  uma última oportunidade de conciliação. A advogada deles disse que não. Novamente destaco que acredito que  defender opiniões e visões diferentes é um direito a ser respeitado. Isso, em si, de forma alguma me ofende.

Já que não havia proposta, fui chamada para prestar meu depoimento. Inicialmente quem elaborou perguntas foi o próprio juiz, que me pediu que relatasse o ocorrido, buscando esmiuçar os fatos. Tudo muito tranquilo e pertinente. Depois do meu relato ele me fez uma série de perguntas, e a seguir começou a ditar para a escrivã fazer o registro do meu depoimento. Nesse momento fiquei fascinada, devo confessar. Ele, ainda que de forma resumida,  repetia com exatidão o que eu havia dito, sem acrescentar ou retirar uma vírgula sequer. Uma das coisas que muito me incomoda nas relações pessoais e profissionais atualmente é que as pessoas não ouvem mais umas as outras. Elas escutam as palavras, vozes e sons, mas  não ouvem realmente o que o outro está dizendo. Em toda essa história foi uma das poucas vezes em que me senti ouvida realmente. Continue lendo