Realengo não é Columbine


 

Eu gostaria de ter o que dizer diante do covarde massacre de estudantes em Realengo. Não sei se consigo, estou chocada. Tentei olhar como mãe, mulher, como ser humano. Estou tão confusa quanto as notícias que ouço e vejo.  Quando um homem decide ir a uma escola atentar contra crianças, aterrorizar uma comunidade, decidir quem vive ou morre e ainda se acha no direito de deixar exigências pós-mortem, creio que é hora de pararmos e meditarmos, para talvez entender um pouco o que acontece com nossa sociedade.  Nesse recolhimento consternado, quero oferecer meus sinceros sentimentos de pesar, minha solidariedade, apoio e preces às famílias de todos vitimados por esse terror.

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E quando a chuva passar?


Estou acompanhando a cobertura da tragédia na região Serrana.  Nem encontro as palavras adequadas para expressar a angústia que senti vendo as imagens do estrago e das pessoas desesperadas acenando para os helicópteros de reportagem. Acredito que muitos devem estar sentindo o mesmo que eu agora.  A impotência da fragilidade humana frente a força incontrolável da natureza. A proximidade parece aumentar, não a dimensão, mas a associação afetiva com a tragédia. Esse é meu sentimento inicial, um desejo de parar tudo e disponibilizar minhas competências para meus conterrâneos fluminenses.

Aproveito para pedir a quem puder enviar alimentos não perecíveis, água potável, roupas e cobertores, que procurem um posto dos bombeiros ou de assistência social mais próximo de sua casa. A Cruz Vermelha já está mobilizada para receber e encaminhar as doações em sua sede no Centro do Rio. Quem tiver mais condições de tempo e estrutura, peça aos amigos e vizinhos que colaborem e depois solicite a retirada das doações. Ainda não há uma relação ordenada de endereços de postos de coleta, mas é provável que até o final do dia já exista maior organização para esse apoio. Infelizmente a situação parece ser tão caótica que não seria o caso de grupos de voluntários se encaminharem para a região. A menos que tenham sido convocados e que tenham treinamento apropriado.  O HemoRio também está precisando de sangue para enviar a Região Serrana. Existem algumas condições básicas que podem ser conferidas seguindo o link.  Como não é necessário estar em jejum, a doação pode ser feita a qualquer hora.  O HemoRio fica na Rua Frei Caneca, 8, no Centro do Rio, próximo ao Hospital Souza Aguiar. Não dói, não demora e faz bem à sua saúde física e mental. Não esqueça de levar um documento de identificação.

Em meio a prerrogativa de tentar ajudar de alguma forma, uma pergunta não cala em minha mente: quantas tragédias de janeiro teremos que vivenciar antes que políticas públicas sérias e permanentes de infra-estrutura e de respeito ambiental sejam implantadas? Até quando teremos que nos horrorizar com as mortes e  nos mobilizar como cidadãos solidários para compensar os efeitos devastadores das calamidades anunciadas? Nessa hora a culpa recai sobre a natureza implacável, os fenômenos incontroláveis e imprevisíveis. Ok, concordo que a chuva seja o agente da destruição em muitas dessas situações. Mas as tragédias não poderiam ter sido evitadas ou minimizadas? Uma barreira de água que ameça romper, e que fica acima de uma cidade, não deveria ter recebido vistoria permanente e manutenção preventiva? Construções em áreas de risco não deveriam ter sido impedidas pelo poder público?  Quem cuida das encostas, do saneamento, das liberações para obras? A Natureza é poderosa mas o descuido e os abusos ajudam, e muito, que seus efeitos sejam danosos à sociedade humana.

Em breve devemos ver anunciado alguma ajuda federal, o poder público contabilizará as perdas humanas e materiais, números e estatísticas serão anunciados e registrados.  A exemplo do que aconteceu no morro do Bumba e em Angra, daqui a um ano talvez tenhamos matérias sobre os desabrigados e os efeitos nas vidas dos sobreviventes. O que me incomoda, e me revolta até, é saber que em pouco tempo tanto o poder público quanto os veículos de comunicação deixarão o assunto de lado. O sol vai voltar, o Carnaval vai chegar, o potencial turístico vai ser mercadoria mais interessante de ser veiculada do que a discussão sobre a prevenção dos riscos anuais das chuvas. Chego a conclusão de que nossa pior calamidade é o descaso público e a memória fulgaz pautada pela mídia.  Agora talvez não seja o momento apropriado para pensarmos isso. Nossa cidadania solidária foi evocada e devemos responder ao chamado.  O Estado parece ter se acomodado com nossa presença ativa. Nós que quando olhamos, vemos vidas sendo destroçadas e não números comparativos em tabelas e relatórios. Vamos então  fazer o melhor que pudermos para ajudar a população serrana a superar essa crise. Mas, e quando a chuva passar? O que vai acontecer com essas pessoas e cidades? Não deveríamos permanecer atentos e solidários para cobrar ações e investimentos que evitem tragédias futuras?

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Eterno Natal


Difícil não notar a beleza daquelas crianças, surgidas do nada, com roupas humildes e com semblante tão iluminado. Pareciam saber exatamente onde iam, enquanto subiam o morro tão determinadas. Quem seriam elas? Em dado momento, se deram as mãos, sorriram e cada qual tomou seu caminho. Continue lendo

Dia Internacional de Solidariedade com a Luta do Povo Palestino


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“Doe Palavras”


Eu participo de muitas redes e fóruns, tentando sempre ler as mensagens com a devida atenção. Ontem li em um desses espaços a divulgação dessa incrível campanha do Instituto Mário Penna, que fica em Minas Gerais e trata de pacientes com câncer. O nome simples e simpático da campanha traduz perfeitamente o convite que fazem: doe algumas poucas palavras de otimismo para os pacientes internados. As mensagens são exibidas em Tvs colocadas nas salas de quimioterapia, radioterapia e nas salas de espera de várias unidades do Instituto.

Como sou curiosa de natureza e profissão fui ver do que se tratava. A proposta é linda e segundo o superintendente geral do Instituto diz no site, elas  “ajudam os pacientes e familiares a enfrentar o tratamento com mais coragem”.  Eu aceitei o convite e convido agora vocês a tentarem também arrumar um tempinho para doar suas próprias palavras a estas pessoas que precisam tanto de apoio e encorajamento.

Não dá trabalho, não custa nada e é bem simples. Tudo é feito pela internet e a mensagem deve ter até 122 caracteres, como no Twitter. Elas podem ser postadas diretamente na página da campanha Doe Palavras (http://www.doepalavras.com.br/) ou pelo seu Twitter, acrescentando a hashtag #doepalavras.  Qem quiser saber mais sobre o Instituto Mario Penna ou sobre os propósitos da campanha Doe Palavras basta seguir o link que coloquei em cada um destes termos.

Talvez você fique acanhado, como eu também fiquei a princípio. O que dizer?  Como escolher as melhores palavras para dar a pessoas em situação de fragilidade emocional. Mas você vai ver que as melhores palavras são as mais simples, que vem do coração. Até porque o espaço é pequeno. E depois que você doar suas primeiras palavras vai perceber que um sentimento muito bom vai se espalhando dentro da gente. Um pequeno gesto que vai ajudar a outra pessoa, desconhecida, sem rosto, e ao mesmo tempo nos faz lembrar que podemos ser solidários de muitas maneiras. Ao estender a mão tocamos o outro e nesse toque percebemos que não estamos sós.

Experimente, ao menos uma vez, e depois diga o que sentiu. Estarei esperando vocês!